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Cooperativas se inspiram em redes de comércio de caju, mel e moda

No primeiro dia do Conexão Solidária, debates sobre formas de escoar a produção e assegurar o caráter sustentável e justo dos empreendimentos autogestionados mantiveram-se no centro das atenções
por Solange do Espírito Santo, especial para a Rede Brasil Atual publicado , última modificação 28/10/2009 18h46
No primeiro dia do Conexão Solidária, debates sobre formas de escoar a produção e assegurar o caráter sustentável e justo dos empreendimentos autogestionados mantiveram-se no centro das atenções

Baixa escolaridade e formação mostram necessidade de assessoria técnica para economia solidária em todo o país (Foto: Roberto Parizotti)

Superar as grandes barreiras vivenciadas pelos empreendimentos e fazer com que a economia solidária possa, de fato, ganhar mais espaço no mercado nacional e internacional. Estes foram os dois temas que nortearam os debates que deram início nesta quarta-feira (28) ao Conexão Solidária, primeira mostra nacional de produtos e serviços da economia solidária.

Promovido pela Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS) da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Conexão acontece no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo (SP), até sábado (31). Reúne mais de 170 empreendimentos solidários de todo o País – que expõem seus produtos – além de representantes do governo federal, de instituições bancárias e empresariais, do movimento sindical e de organismos de outros 13 países.

Para o titular da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) do Ministério do Trabalho, Paul Singer, embora os 22 mil empreendimentos desse tipo sejam uma realidade no Brasil e continuem crescendo, a principal barreira que encontram é a da comercialização. “É difícil para qualquer recém-chegado no mercado conquistar espaços que já são ocupados por empresas. Ainda mais para empreendimentos solidários, que são iniciativas de trabalhadores, em sua maioria de pessoas com baixa escolaridade”, afirmou.

“As mulheres artesãs, costureiras e cozinheiras são as que mais ilustram estas dificuldades”, exemplifica Singer. “Em função da baixa escolaridade, são tímidas para vender e não conseguem falar a língua da classe média, onde se concentra os consumidores”, detalha.

O secretário, no entanto, disse que já há experiências de sucesso para garantir o escoamento da produção. São redes de cooperativas que conseguem criar canais específicos de comercialização e trocar “saberes” e tecnologias. Ele cita como exemplos redes de apicultores, de produtores de caju, do setor de vestuário e acessórios de moda.

Cooperativas se inspiram em redes de comércio de caju, mel e moda (Foto: Roberto Parizotti)

Paul Singer revelou ainda que a secretaria está criando uma rede de assessoria técnica, com núcleos em todos os estados, para auxiliar os empreendimentos solidários nas áreas de produção, legislação, finanças e administração. Mas que é preciso mais, investir na formação e no aumento do nível de escolaridade dos empreendedores.

Central de comercialização

No período da manhã, o coordenador da ADS, Ari Aloraldo do Nascimento, destacou, na abertura oficial do Conexão Solidária, que a questão da comercialização de produtos e serviços de empreendimentos solidários deve ser trabalhada a médio e longo prazos.

“As feiras e exposições que têm acontecido são importantes, mas são soluções de curto prazo. Por isso, é preciso um espaço permanente, que possibilite uma articulação de empreendedores com empresários brasileiros e internacionais”, ressaltou. Aloraldo anunciou que a ADS irá inaugurar em breve uma central permanente de comercialização, em São Paulo para enfrentar o desafio.

A solenidade de abertura teve a presença, entre outros, do secretário nacional de Articulação Social da Presidência da República, Gerson Luiz de Almeida Silva; do presidente da Fundação banco do Brasil, Jacques de Oliveira Pena; do presidente da Cooperativa de Crédito Rural com Interação Solidária (Cresol), Cláudio Risson; Arildo Motta, presidente da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol); do presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos; e do coordenador geral de Comércio Justo e Crédito da Senaes, Antonio Haroldo Pinheiro Mendonça.

O tom da maior parte dos discursos envolveu o papel dos empreendimentos solidários na construção de um novo modelo de desenvolvimento econômico, baseado na sustentabilidade, na ética e no respeito ao meio ambiente.

O mesmo tema foi abordado em seminário realizado na sequência, que contou com a presença de Jaime Herzog, diretor do Departamento Nacional de Registro de Comércio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e de Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos.

Programação

A programação do Conexão Solidária para esta quinta-feira (29) prevê seminário que abordará os desafios da produção na economia solidária, oficinas temáticas e um grande desfile de moda, marcado para as 20h, com roupas e acessórios produzidos por empreendedores de várias regiões.

Além disso, durante o evento estão sendo promovidas rodadas de negócios entre empresários e empreendedores. O Conexão segue até sábado (31) e é aberto ao público.

Conexão Solidária

Para conferir a programação completa e outras informações, acesse www.mostraconexaosolidaria.org.