Tiros em Caraguá

Candidatos do PT são abordados com agressões e tiros em Caraguatatuba

Candidato prefeito de Caraguatatuba (SP) pelo PT, José Mello, encerrava um lanche ao lado de outros companheiros. Agressor desferiu xingamentos e tiros

PT Caraguatatuba
Candidatos e militantes do PT pediram investigação da Polícia Civil

São Paulo – A direção municipal do PT em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, pediu abertura de investigação por agressão contra candidatos do partido. O candidato a prefeito pela legenda, José Mello, e o presidente local do partido, Luan Moreno, relatam que haviam parado para comer um lanche na noite de sexta-feira (16). Nesse momento um homem desceu de um carro para hostilizá-los. “Evitamos entrar na discussão e continuamos caminhando em direção aos nossos carros. Em seguida, ouvimos disparos de arma de fogo”, disse Moreno. Os petistas pediram à Polícia Civil abertura de investigação contra o agressor.

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Os tiros foram disparados depois de o agressor proferir ofensas e xingamentos, enquanto os militantes se retiravam do local. “A gente encerrou a campanha e parou para comer um lanche. Um carro parou e o seu ocupante passou a deferir ofensas contra o grupo. E atacando o partido com palavras de baixo calão e muito ódio”, disse o presidente do PT de Caraguatatuba.

O boletim de ocorrência informa que a hostilidade foi dirigida a José Mello, sua vice, Maira Martins, ao marido dela, à vereadora Cássia Gonçalves, além de Luan Moreno. “Em nosso entendimento, trata se de um crime eleitoral. Portanto, exigiremos das autoridades policiais e da Justiça uma resposta à altura para que essa atitude covarde e outras deste tipo não mais aconteçam com qualquer um dos candidatos e candidatas de todos os partidos”, declarou Moreno.

Clima de ódio

A presidenta nacional do PT, deputada federal do Paráná Gleisi Hoffmann (PR), manifestou preocupação com o cenário de violência decorrente da conduta agressiva do presidente Jair Bolsonaro. Segundo a revista Fórum, o agressor estava acompanhado de mais uma pessoa. Identificado como Jhoy Oliveira, ele seria um ativista bolsonarista nas redes sociais, com apelido de Atirador.

“No Brasil de Bolsonaro, o recurso à violência física contra a oposição está virando lugar-comum. Mas isso não pode ser tolerado”, afirmou Gleisi, em publicação no site do PT. “É um jogo perigoso. As divergências políticas não podem se tornar oportunidade para a violência física e a tentativa de eliminação do adversário”, protestou a deputada.

Gleisi aponta para uma escalada autoritária perigosa contra a democracia brasileira, que acabou fragilizada desde o golpe de 2016. “Isso está se repetindo de maneira perigosa”, disse. Ela citou dois episódios ocorridos este ano: um em Nuporanga, São Paulo, onde presidenta do PT local foi alvo de ataques; e outro em Goiânia, em que sede do partido foi alvo de atentado.

O jornalista José Mello, que disputa a prefeitura de Caraguatatuba na eleição de 15 de Novembro, disse que reconheceu o agressor. “Não podemos ter medo de sair às ruas no processo eleitoral simplesmente por defender as bandeiras da classe trabalhadora”, afirmou Mello.

“Não vamos nos intimidar diante de qualquer ameaça de ódio, que tenha finalidade de inibir o PT de fazer a discussão democrática eleitoral de nossa cidade”, disse a vereador petista Cássia Gonçalves.

Com informações do PT e da Fórum