São Paulo

Movimentos protestam contra abandono e morte de moradores de rua no frio

Vigília realizada no centro de São Paulo pede ações de acolhimento por parte do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, para que moradores de rua tenham maior proteção durante a pandemia

Pedro Stropasolas
Vigília foi realizada em frente à prefeitura de São Paulo

BrasildeFato – Movimentos sociais que compõem o Comitê em Defesa da Vida da População em Situação de Rua realizaram nesta segunda-feira (24) um protesto em memória das pessoas mortas pelo frio em São Paulo nos últimos dias. A vigília, na região central da capital, pedia ações de acolhimento e proteção. Entre as demandas está a concessão de abrigos e vagas em hotel para os moradores de rua. Ação prometida pela prefeitura em meio à pandemia do coronavírus.

A militante Andreza do Carmo, do movimento Rede Rua, afirma que o diálogo dos moradores de rua com o poder público já estava difícil frente à propagação da covid-19. “A frente fria, somada à pandemia, vem sacrificar ainda mais a população de rua. Já desde o início do ano a gente vem reivindicando ações, nem que sejam emergenciais para proteger essa população exposta ao vírus, ao frio, à morte.”

Ela lembra que, muitas vezes, a retirada de mecanismos mínimos de proteção ao frio parte do próprio governo. Além da indiferença e do descaso, ainda tem a ação de zeladoria que todos os dia retira pertences dos moradores de rua. “Viemos reivindicar políticas públicas efetivas. Que deixem de fazer propaganda, que deixem de fazer marketing”, disse ela. 

Antonio Carlos de Souza, morador de rua, faz um relato emocionado sobre a realidade na rua em período de frio recorde. “O que estamos fazendo hoje é em homenagem aos irmãos mortos. Nós estamos em luto. Muitos dos nossos foram massacrados e o massacre continua. Nós vemos a injustiça com a gente e nós não temos coração de ferro para aguentar.”

Ações de zeladoria

O presidente do Movimento Estadual da População de Rua de São Paulo, Robson Mendonça, é enfático ao afirmar que as mortes poderiam ter sido evitadas. “Nós culpamos o prefeito e a Secretaria de Assistência Social por não abrir vagas para essa população. Eles continuam tirando barraca, coberta, roupa e dinheiro da população. Essa manifestação tem objetivo de parar as ações de zeladoria, conseguir vaga para esse pessoal, um camping, enquanto não arruma vaga e, principalmente, parar com ações de reintegração de posse.”

Entre as organizações que compõem a comissão estão também a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). As reivindicações foram entregues oficialmente à prefeitura e o grupo divulgou um documento em que ressalta que o que matou os moradores de rua  “não foi o frio ou a chuva, pois o frio e a chuva são o mesmo para todos”, mas sim “a falta de assistência e situação de invisibilidade, o descaso e ações criminosas do poder público”.