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Utilidade pública

Globo não mostra campanha de vacinação por causa de Xuxa e Galinha Pintadinha

Para o professor Lalo Leal, censura a campanhas de vacinação por interesses comerciais é um crime. "Quantas crianças poderiam correr risco de ficar doentes?"
por Redação RBA publicado 14/09/2018 16h32, última modificação 14/09/2018 16h51
Para o professor Lalo Leal, censura a campanhas de vacinação por interesses comerciais é um crime. "Quantas crianças poderiam correr risco de ficar doentes?"
Ministério da Saúde
Campanha de vacinação

Na primeira negativa, motivo eram os personagens da campanha. Depois alegação foi a logomarca do Ministério da Saúde

São Paulo – A recusa da TV Globo em veicular comerciais da campanha de vacinação contra a poliomielite e sarampo teve como justificativa a aparição do logotipo do Ministério da Saúde nas peças publicitárias, em período eleitoral. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, porém, um dos motivos alegados pela emissora foi a presença na campanha de estrelas de outros canais, como a Galinha Pintadinha e a apresentadora Xuxa.

Na justificativa, a emissora alega ainda, de acordo com o jornal, que o comercial, mesmo sendo com fins de utilidade pública, impunha uma autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devido ao uso da logomarca do governo federal.

Em 2017, a imunização de crianças contra poliomielite e sarampo teve seu pior resultado em 16 anos de campanha. A reincidência dessas doenças tem preocupado especialistas da saúde. E agora, também, da comunicação. O professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e colunista da Revista do Brasil Laurindo Lalo Leal Filho considera o gesto da Globo, que praticamente monopoliza a audiência na TV aberta no país, uma decisão que atenta contra a saúde pública movida por interesse comercial.

"A censura às informações sobre campanhas de vacinação é um crime. Quantas crianças poderiam correr o risco de ficar doentes porque seus responsáveis ficaram sem saber das campanhas?", critica Lalo.

Segundo o professor, televisão por ser concessão, tem obrigação de prestar serviço público. "Ainda mais em casos como esse, onde estão em jogos vidas humanas. É por casos como esse que torna-se necessária a regulação urgente dos meios de comunicação”, afirma o professor.

Responsável pela maior audiência da televisão brasileira, a não veiculação dos anúncios na TV Globo poderia ter trazido prejuízo à campanha. Além do tradicional personagem Zé Gotinha, Galinha Pintadinha e Xuxa, a campanha de vacinação tem também imagem de um personagem do jogo Just Dance. A emissora alegou possíveis ganhos da empresa responsável com o uso da imagem. 

A campanha recebeu aprovação do TSE e foi exibida por Record, SBT, Band, Rede TV! e TV Brasil entre 6 e 31 de agosto. Os índices de imunização esperados pelo governo na primeira fase alcançaram 80% do público-alvo. A prorrogação ocorreu porque a meta pretendida era de  95%. Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo chegou perto hoje, com 11 estados alcançando essa meta nesta sexta-feira. 

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