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Doação cara

Com manobra, Doria escapa de se explicar sobre remédios perto do fim da validade

Base aliada obtém pedido de explicações para depois do recesso. Juliana Cardoso (PT) aprova pedido de diligência às farmácias e audiência pública sobre fechamento de UBS e das Amas
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 22/06/2017 18h51, última modificação 22/06/2017 18h59
Base aliada obtém pedido de explicações para depois do recesso. Juliana Cardoso (PT) aprova pedido de diligência às farmácias e audiência pública sobre fechamento de UBS e das Amas
PMSP
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Com seu marketing, Doria anunciou "doação" de medicamentos que estão perto de perder a validade

São Paulo – Em vez de explicar à população sobre os medicamentos com prazo de validade perto do final, que teriam sido "doados" por laboratórios farmacêuticos à prefeitura de São Paulo em troca de isenção de ICMS concedida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito João Doria (PSDB) usa sua base para ganhar tempo.

Em reunião da Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher da Câmara Municipal, nesta quarta-feira (21), a vereadora Adriana Ramalho (PSDB), líder do governo, teve aprovado seu requerimento de esclarecimentos ao Executivo municipal. Entre os argumentos da solicitação da tucana estão a "ampla divulgação da notícia na imprensa e as dúvidas de quem recebeu os remédios nos postos de saúde". 

Adriana Ramalho também aprovou pedido da presença do coordenador do Samu (Serviço de Atendimento de Urgência), Marcelo Takano, para falar sobre a proposta que prevê o fechamento das bases do Samu. Com isso, as ambulâncias ficariam centralizadas em hospitais, e não mais espalhadas estrategicamente pela cidade, o que permite atender ao chamado em menos tempo. 

Para a vereadora Juliana Cardoso (PT), que integra a comissão, trata-se de uma estratégia. "É cada vez mais difícil para a Adriana Ramalho fazer a defesa. Além disso, o requerimento aprovado dá prazo de 30 a 90 dias para a prefeitura dar os esclarecimentos à comissão, o que deve acontecer depois da volta do recesso”, afirmou, lembrando que a suposta doação de medicamentos vai causar perdas de R$ 66 milhões ao estado devido à isenção de ICMS.

"Ainda não sabemos qual será o prejuízo da prefeitura, que vai ter de arcar com a incineração dos medicamentos vencidos. O custo da incineração é de R$ 20 por quilo", disse.

Por isso, ela apresentou e aprovou pedido para diligência de integrantes da comissão às farmácias municipais. Previstas para os próximos dias, antes do início do recesso, as visitas pretendem verificar os estoques de medicamentos, os prazos de validade e como deverão ser feitas as substituições.

A petista conseguiu aprovar também requerimentos para a realização de audiências públicas para discutir o fechamento da UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila Carioca, anunciado recentemente, com convites ao coordenador de Saúde da Região Sudeste, José Roberto Abdalla, e à representante da SPDM responsável pelo contrato de gestão que envolve a UBS. E também para debater o fechamento das AMAs.

“Eles falam em reestruturação, mas na verdade é o fechamento. E isso é muito preocupante para São Paulo. Então, penso que vamos poder ter o entendimento de sindicatos e entidades dos conselhos municipais, que também estarão na mesa, para a gente verificar o impacto real que isso deve ter na cidade.”