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Manifestantes marcham pelo SUS e contra PEC 55 em São Paulo

Estudantes de Medicina, Enfermagem e outras áreas da saúde fazem caminhada pelas ruas de São Paulo; ato marca início de calendário de mobilizações
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 07/11/2016 19h51, última modificação 07/11/2016 23h41
Estudantes de Medicina, Enfermagem e outras áreas da saúde fazem caminhada pelas ruas de São Paulo; ato marca início de calendário de mobilizações
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Estudantes da saúde temem piora no atendimento à população e formação com menos investimentos

São Paulo – Estudantes da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e de outros cursos da área de saúde, como Enfermagem e Psicologia, dessas e de outras instituições, inclusive particulares, saíram em passeata no final da tarde de hoje (7), na capital paulista, contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 e em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).

A caminhada, que teve início na Praça da República, no centro, terminou em frente à Secretaria Estadual da Saúde, em ato simbólico por mais recursos, teve apoio do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), de trabalhadores da Santa Casa e de outros hospitais, além do Fórum Popular de Saúde de São Paulo.

A estudante Carolina Palamin, do 2º ano de Medicina da Santa Casa, disse que a PEC vai estrangular o atendimento na Santa Casa, hospital filantrópico localizado na região central da capital paulista que conta também com recursos do SUS.  "A Santa Casa, que vive problemas financeiros crônicos, deverá ter sua situação insustentável com a PEC", disse.

O colega  Luca Maschião, aluno do 3º ano, lembrou que faltam materiais básicos para o atendimento, como luvas e gaze. Correm risco também outros serviços, como o atendimento à saúde mental. "A situação é urgente e todos devem se engajar."

Os estudantes, especialmente os da Unifesp, mantida pelo governo federal, temem prejuízos também na graduação. A aluna Victória Chaves, do 2º ano de Enfermagem, conta que a maior preocupação no momento é a manutenção dos programas de permanência estudantil. "É grande o número de alunos que necessitam de ajuda para alimentação, transporte e moradia. Bolsas pedidas este ano não foram concedidas. Há alunos desesperados, e já houve caso até de suicídio, que acabou abafado", disse.

"É uma situação muito complicada especialmente entre estudantes que já convivem com o sofrimento humano, num cotidiano estressante, que têm sua saúde psicológica e mental já comprometidas. Como vão poder cuidar da saúde dos outros?", questionou Victória, integrante do comando de mobilização. De acordo com ela, os estudantes vão discutir novas estratégias para o movimento.

Renan Zaramella, aluno do 3º ano de Medicina da Santa Casa e integrante da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem), disse que o ato dos estudantes da saúde é contra os cortes e também por mais verbas para o setor. "Estamos com os hospitais universitários sucateados. Em geral, a situação é tão ruim que os estudantes, encurralados, decidiram pela mobilização, coisa que não é tão comum entre os da Medicina", disse.

"Mesmo sendo a maior universidade, e sendo privilegiada, a USP também vem sofrendo cortes de recursos também e está num contexto semelhante ao de outras universidades, de outros cursos, e em Medicina também", disse a aluna Maria Castilho, do 2º ano.

Ao subir a Rua da Consolação gritando palavras de ordem como "Estou na rua por saúde e educação" e "A nossa luta é todo dia porque saúde não é mercadoria", os manifestantes receberam apoio da população, que aplaudia e fotografava.

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