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golpe no SUS

Contrária à proposta, Proteste vai debater plano de saúde popular com governo Temer

Projeto estava sendo discutindo apenas com as empresas de planos privados excluindo-se demais setores envolvidos
por Redação RBA publicado 10/08/2016 14h49
Projeto estava sendo discutindo apenas com as empresas de planos privados excluindo-se demais setores envolvidos
Wilson Dias/Agência Brasil
Ricardo Barros

Proposta do ministro interino da Saúde, Ricardo Barros, traz mais prejuízos do que benefícios, segundo a Proteste

São Paulo – Na semana passada, o governo interino de Michel Temer, anunciou a criação de grupo de trabalho para discutir e elaborar o projeto de plano de saúde acessível composto, além dos representantes do próprio governo, apenas por representantes das empresas de saúde privada, excluindo demais entidades médicas e dos consumidores, que também serão diretamente afetados.

Após duras críticas, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) foi integrada ao grupo de trabalho proposto pelo governo, assim como a Associação dos Médicos do Brasil (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM). A Proteste espera agora o detalhamento da proposta por parte do governo e cobra investimentos na saúde pública.

A entidade criticou a medida, exigindo a ampliação da discussão e a inclusão de entidades que representem também os usuários. Contrária à proposta, ainda assim, a Proteste ressalta a necessidade de participar do debate. "Entendemos que, mesmo que tenha esses planos populares, primeiro teria que passar por uma ampla discussão", afirma Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da entidade, em entrevista à Rádio Brasil Atual hoje (10).

O ministro interino da Saúde, Ricardo Barros, alega que a medida traria economia de R$ 20 bilhões por ano. Segundo a Proteste, a proposta, que visa a desafogar os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), não resolve o problema, pois os ditos planos populares ou acessíveis ofereceriam apenas coberturas em nível ambulatorial para procedimentos de baixa complexidade.

"Do ponto de vista do consumidor, ele não vai ter nenhuma vantagem. Os prejuízos são maiores do que os benefícios, porque no momento em que ele paga pouco e vai precisar utilizar serviços mais complexos, como ser submetido a uma cirurgia, vai ter que voltar para o SUS", detalha Maria Inês, lembrando que, no passado, proposta de planos de saúde fragmentados fracassaram por motivos semelhantes.

 

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