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IBGE divulga conclusões do Panorama da Saúde no Brasil

Segundo o estudo, programa Saúde da Família já chega à metade dos domicílio do país e é mais abrangente que os planos de assistência privada. População também prefere postos púbicos de saúde às clínicas e hospitais
por Isabela Vieira, da Agência Brasil publicado , última modificação 31/03/2010 12h27
Segundo o estudo, programa Saúde da Família já chega à metade dos domicílio do país e é mais abrangente que os planos de assistência privada. População também prefere postos púbicos de saúde às clínicas e hospitais

Rio de Janeiro - Mais da metade dos brasileiros, cerca de 96 milhões de pessoas, está cadastrada no Programa Saúde da Família (PSF). De acordo com pesquisa divulgada nesta quarta-feira (31), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos 27,5 milhões de residências cadastradas no programa – do total de 57,6 milhões - vivem 50,9% da população.

Os dados do Panorama da Saúde no Brasil, publicação elaborada com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), com referência no ano de 2008, mostram que o Saúde da Família é mais abrangente que os planos de saúde. O serviço particular atende a 25,9% da população, ou seja, cerca de 49,2 milhões de pessoas.

A maior parte das famílias atendidas vive na Região Nordeste, que concentra 35,4% dos domicílios cadastrados ou 9,7 milhões de famílias. Em seguida estão o Sudeste, com 9,1 milhões de atendidos e o Sul, onde as equipes de saúde visitam 4,5 milhões de casas. A Região Norte tem cobertura em 2 milhões de domicílios ou 7,4% do total no país.

O presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior, chama a atenção, porém para o fato de historicamente municípios do Nordeste terem se apropriado do programa, que conta com repasses do governo federal, em vez de investirem na rede básica de saúde.

"O PSF [Programa Saúde da Família] passou a ser a opção prioritária das prefeituras de menor e até de médio porte, particularmente no Nordeste. Em função disso e da falta de serviços básicos, o programa passou a ser a porta prioritária no sistema".

Proporcionalmente, três unidades têm menos de um terço de domicílios no programa: Amapá com 20,2% de domicílios atendidos, Rio de Janeiro, que oferece o serviço para 17,4% das residências no estado e Distrito Federal, com 11,2% - a menor cobertura no país.

Os profissionais do Saúde da Família visitam as  casas mais pobres onde vivem pessoas com baixo nível de instrução. Dos cadastrados, 61,9% tinham renda de até um salário mínimo e 36,1% ganhavam mais que dois salários. Dentre os 8,5 milhões de residências onde a a pessoa de referência tinha menos de um ano de estudo, o atendimento chegava a 63,8%.

Postos

Os postos de saúde são as unidades de serviço médico mais procuradas pelos brasileiros, segundo o IBGE. Esses centros foram apontados como referência por 56,8% dos entrevistados, à frente de consultórios particulares (19,2%) e de ambulatórios de hospitais (12,2%).

Segundo a pesquisa, o posto é normalmente procurado por pessoas pertencentes às classes mais baixas. O estudo também revelou que 25,9% dos cerca de 180 milhões de brasileiros têm plano de saúde e que 77,2% dos que vão aos postos públicos recebem até um quarto do salário mínimo.

Além disso, 11,8% dos entrevistados recorreram a farmácias, ambulatórios de clínicas ou de empresas, pronto-socorros ou o agentes comunitários em busca de serviços de saúde.
De acordo com a pesquisa, 58,6% dos atendimentos foram realizados em instituições públicas. Dos  entrevistados, 86,4% julgaram o atendimento (na rede pública e privada) como bom ou muito bom. E entre as pessoas que informaram não terem sido atendidas na primeira vez, 3,8% alegaram que não havia vagas ou  médicos (36,4%) disponíveis.

Francisco Batista Júnior avalia que embora o Sistema Único de Saúde (SUS), embora apresente problemas, presta um serviço indispensável. "Apesar da constante desqualificação do SUS, sem negar as dificuldades e equívocos de gestão, a população tem acesso a serviços da mais alta relevância, reconhecido internacionalmente."

Consulta

Com base em dados coletados em 2008, a pesquisa do IBGE também mostra que 67,7% da população fez consultas médicas nos 12 meses anteriores ao levantamento – o percentual de homens que foram ao médico (58,8%) era inferior ao de mulheres (76,1%) e 40,2% foi ao dentista no período.

Embora 88,3% dos brasileiros tenham ido ao dentista uma vez na vida, fizeram isso há menos de um ano da entrevista, sendo que 11,7% da população nunca estiveram num consultório ortodôntico.

O levantamento também chama a atenção para o fato de 77,9% de crianças entre até 4 anos nunca terem ido a um consultório odontológico.