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Hepatite C afeta 58% dos doadores de sangue que se julgam sadios

Estudo da Unifesp com doadores da Grande São Paulo revelou ainda que 70% deles podem ter lesões no fígado
por Cida de Oliveira, especial para a Rede Brasil Atual publicado , última modificação 27/10/2009 16h55
Estudo da Unifesp com doadores da Grande São Paulo revelou ainda que 70% deles podem ter lesões no fígado

Maior prevalência é entre pessoas de 40 a 49 anos, que contraíram a doença em transfusões de sangue anteriores a 1989, quando o vírus não tinha sido descoberto (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)

Uma pesquisa feita na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com amostras de sangue de 50.607 doadores da Grande São Paulo verificou que 58,6% deles são portadores da hepatite C. E, desse grupo, cerca de 70% já estão com alterações no fígado, apesar de não apresentarem os sintomas da doença. "Como nunca tiveram os sinais do problema, esses indivíduos não desconfiam de que estão infectados e se consideram aptos a doar", afirma a bióloga Itatiana Rodart, autora do estudo.

A maior prevalência do vírus (32,3%) foi encontrada na faixa etária de 40 a 49 anos, sendo menor entre 60 e 65 anos (3%). É do sexo masculino o maior número de casos (77,78%). "Esse grupo engloba a população que sofreu transfusão de sangue ou cirurgias antes de 1989, quando o vírus ainda não tinha sido descoberto. Os testes sorológicos, aliás, foram implantados a partir 1992", explica a pesquisadora.

O estudo também aponta que o subtipo de vírus da hepatite C mais comum entre os portadores analisados é o tipo 1 (82,8%). De acordo com Itatiana, há seis tipos de vírus da hepatite C espalhados pelo mundo e que demandam tratamentos diferentes. No Brasil, os tipos 1, 3 e 2 são, nessa ordem, os mais prevalentes, sendo que o tipo 1 é considerado o mais agressivo e requer tratamento mais prolongado. Já os tipos 2 e 3 respondem melhor ao tratamento e o tempo de medicação é reduzido pela metade (seis meses).

Para a biólogoa autora do estudo, as informações que chegam às pessoas sobre a doença ainda são insuficientes e o compartilhamento de agulhas entre usuários de drogas ainda é o principal meio de transmissão atualmente, seguido pelo contágio em manicures e tatuagens. "Diferente da transmissão sexual do HIV e do vírus da hepatite B, que já está comprovada, a transmissão do vírus da hepatite C por essa via ainda é controverso", explica.

A hepatite C já é considerada um problema de saúde pública em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 170 milhões de pessoas em todo o mundo são portadoras do tipo crônico, com aproximadamente 4 milhões de novos casos de infecção descobertos por ano. O Ministério da Saúde estima que no Brasil cerca de 3 milhões de pessoas sejam portadoras.

Apesar da possibilidade de cura, a doença é uma das principais causas das complicações hepáticas e transplantes de fígado, já que de 70% a 85% dos casos de contaminação evoluem para doença crônica.

A pesquisa foi feita, inicialmente, para avaliar um método diagnóstico não invasivo para detecção primária de lesão do fígado em portadores do vírus da hepatite C (VHC). O exame simples substitui a biópsia – procedimento cirúrgico no qual se colhe uma amostra de tecido do órgão para avaliar a evolução da doença.

O aumento dos níveis de ácido hialurônico (AH) no sangue de portadores da doença está relacionado com a intensidade da lesão hepática. "A descoberta de métodos diagnósticos não invasivos é de extrema importância, pois, além de minimizar os riscos para o paciente, também diminui os custos para a saúde", explica a bióloga.

Presente em todos os órgãos do organismo humano, em diferentes proporções, a substância preenche espaços entre as células. É responsável pelo volume da pele, forma dos olhos e lubrificação das articulações. A mensuração dos níveis desse elemento no sangue junto com demais informações também ajuda no diagnóstico de doenças como oftalmopatia associada à Doença de Graves, neoplasias, processos inflamatórios e doenças virais.

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