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Manifestantes pedem remédio mais barato em conferência HIV/Aids

Protesto acusa a Roche de aumentar o preço do remédio para tratar o vírus da hepatite C (HCV), dificultando o acesso para pacientes que estão morrendo
por Tan Ee Lyn publicado , última modificação 12/08/2009 11h25 © 2009 Thomson Reuters. All rights reserved
Protesto acusa a Roche de aumentar o preço do remédio para tratar o vírus da hepatite C (HCV), dificultando o acesso para pacientes que estão morrendo

Bali, Indonésia - Um pequeno grupo de manifestantes segurando cartazes interrompeu uma grande conferência sobre Aids na Indonésia, nesta quarta-feira (11), para exigir o acesso a medicamentos para tratar pacientes com o vírus HIV e que estão morrendo de hepatite C.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que de 4 milhões a 5 milhões de pessoas que vivem com Aids ao redor do mundo também são infectadas com hepatite C, uma doença que pode causar o definhamento do fígado.

"Hepatite C + silêncio = morte" estava escrito nos cartazes levados pelos manifestantes, que acusavam a gigante farmacêutica Roche de aumentar o preço do remédio para tratar o vírus da hepatite C (HCV), dificultando o acesso para pacientes que estão morrendo.

Os manifestantes disseram que o remédio pegylated interferon, vendido pela Roche e que pode exterminar o vírus, custa US$ 1.500 por mês. "Que vergonha, Roche, que vergonha!", eles entoavam.

A Roche não estava imediatamente disponível para comentar o incidente. A maioria das pessoas que foram infectadas pelos dois vírus HIV e hepatite C é usuária de drogas injetáveis. As duas doenças são transmitidas e produzidas pelo sangue através da troca de agulhas e outros instrumentos já usados, até chumaços de algodão.

Apesar das agências internacionais de saúde e os governos tornarem disponíveis os remédios para portadores de HIV, há um alto custo para tratar a hepatite C na maioria dos países.

De acordo com a OMS, usuários de drogas injetáveis são excluídos do tratamento em muitos países devido ao medo da interação entre as drogas e a probabilidade de nova infecção.

Mas Nanao Haobam, que está infectado com os dois vírus, disse que tal política é insustentável porque os pacientes estão morrendo.

"Na minha comunidade, eu vi mais de 50 pessoas (HIV positivos) morrendo por causa do vírus HCV. Deve haver muito mais do que isso", disse.

Haobam, de 38 anos, é um ex-usuário de droga injetável e agora é um ativista da HIV/Aids em Bangcoc. Ele disse à Reuters que soube que estava infectado com o vírus HIV em 2000 e foi diagnosticado com HCV dois anos depois.

"Eu estava em tratamento, mas não fiquei totalmente livre do vírus HCV. Eu recentemente fui a um médico e ele me alertou para começar o tratamento para hepatite enquanto estou agora no estágio inicial de cirrose", disse.

"Mas eu não posso pagar o tratamento, eu tenho que deixar nas mãos de Deus."
Deixar de tratar a cirrose, o endurecimento do fígado, levará o paciente a precisar de um transplante ou à morte.

O predomínio da infecção crônica de HCV entre pacientes com HIV no oeste da Europa e nos Estados Unidos é de cerca de 25% a 30%. Na Ásia, 80% a 90% de usuários de drogas injetáveis que são HIV positivo estão infectados também com HCV.

A infecção dos dois vírus ocorre em mais de 40% no oeste da Europa e se estende para 70% a 95% na Estônia, Rússia e Ucrânia.

"Se os governos não podem tornar os remédios disponíveis, o mínimo que eles podem fazer é liberar a patente, então versões genéricas poderão ser feitas", disse Haobam.

Fonte: Reuters

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