Um mês depois

Lote de vacinas contra covid-19 para crianças de 5 a 11 anos chega ao Brasil

País recebe primeiro lote em quantidade para imunizar 5% da população alvo e prevê completar a primeira dose até março

Erasmo Salomão/MS
Erasmo Salomão/MS

São Paulo – O primeiro lote de vacinas contra a covid-19 específica para crianças chegou ao Brasil na madrugada desta quinta-feira (13). A Pfizer entregou um lote de 1,2 milhões de doses do imunizante, desembarcado no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). O país tem uma população de cerca de 20 milhões de crianças na faixa etária de 5 a 11 anos. Portanto, o lote recebido alcançará pouco mais de 5% do público alvo. A Agência Nacional de Vigilância sanitária aprovou o imunizante e recomendou sua aplicação em 16 dezembro.

Assim, com um mês de atraso se inicia a distribuição – de forma proporcional à população de cada estado, que se encarregará do calendário da vacinação. Crianças com comorbidades, com deficiência, indígenas e quilombolas serão as primeiras a receber as vacinas contra a covid-19 a partir desta sexta (14). Em seguida, a ordem de aplicação será decrescente, ou seja, das mais velhas para as mais novas. Porém, o Ministério da Saúde recomenda prioridade para a vacinação de crianças que convivem com pessoas dos grupos de maior risco.

Em São Paulo, o pré-cadastro para vacinação do público infantil já pode ser feito no site Vacina Já. O pré-cadastro é opcional e não funciona como agendamento, mas agiliza o atendimento. No estado, a vacinação das crianças ocorrerá em 5 mil pontos de vacinação, além de 268 escolas públicas estaduais.

O ministério prevê entregar 4,3 milhões de doses de vacinas ainda em janeiro. Além disso, 7,2 milhões devem chegar em fevereiro e 8,4 milhões em março. Desse modo se completaria a quantidade necessária para aplicação da primeira dose na população alvo.

Crime contra a infância

Porém, os pais não serão obrigados a dar as vacinas nas crianças, o que pode dificultar o alcance do programa de imunização, apesar dos alertas de especialistas para essa necessidade. Além disso, próprio presidente Jair Bolsonaro estimula seus apoiadores a fazer campanha contra as vacinas, inclusive para crianças.

O pastor evangélico Silas Malafaia, ferrenho militante bolsonarista, chegou a postar em seu Twitter que vacinar crianças é um “verdadeiro infanticídio” e que os “números provam” que não haveria necessidade. Por essa prática, o Twitter excluiu 11 posts de Malafaia. O próprio presidente chegou a dizer que não vacinará a filha de 11 anos.

Desse modo, o presidente e seu ministro cometem mais um crime, desta vez contra o Estatuto da Criança e do Adolescente. Quem observa é o advogado Ariel de Castro Alves, em entrevista à Rádio Brasil Atual (confira aqui).

Cientistas e pesquisadores têm alertado que a variante ômicron, que se propaga em velocidade acelerada, não pode ser tratada como “branda”. Isso porque existe o risco de problemas físicos, respiratórios e até cognitivos que podem acompanhar no futuro uma criança infectada hoje pela covid-19 hoje. “É mais importante os pais se preocuparem com possíveis efeitos de longo prazo em crianças infectadas do que com qualquer suposto risco de tomar uma vacina”, alertou na semana passada o médico Stanley Spinner, diretor de Pediatria Infantil do estado do Texas, nos Estados Unidos.


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