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São Paulo vai retomar vacinação de grávidas e puérperas na próxima segunda

Vacinação foi suspensa ontem, após determinação do Ministério da Saúde, por conta de uma investigação sobre reações da vacina da AstraZeneca em grávidas

Gustavo Vara/Fotos Públicas
Vacinação contra a covid-19 em São Paulo terá uma expansão para incluir grupos com comorbidades e categorias de trabalhadores

São Paulo – O governo de São Paulo anunciou hoje (12) que vai retomar a vacinação de mulheres grávidas e puérperas (mulheres até 45 dias após o parto) contra a covid-19, na próxima segunda-feira (17). A vacinação foi suspensa ontem, logo no início da campanha de imunização, devido a um informe da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendendo a aplicação da vacina do laboratório AstraZeneca após uma notificação de morte suspeita de efeito adverso de uma gestante de 35 anos, ocorrida na última segunda-feira (10). A Anvisa foi notificada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que participou do desenvolvimento do imunizante.

No fim da tarde de ontem, o Ministério da Saúde anunciou que a vacinação de grávidas e puérperas deve ser realizada somente com as vacinas CoronaVac e Pfizer. A determinação vale até que sejam concluídas as investigações do caso e que se esclareça se houve ou não relação com a vacina da AstraZeneca. A gestante sofreu um acidente vascular cerebral (AVC).

É a primeira vez que um evento do tipo é notificado na vacinação em mulheres grávidas. A ocorrência de tromboses com a vacina da AstraZeneca tem sido estudada, mas é um evento considerado muito raro, ocorrendo em menos de 0,01% dos casos. A covid-19 causa problemas de trombose em 17% dos infectados.

O governo paulista anunciou que vai fazer um remanejamento das vacinas nos próximos dias, garantindo que as gestantes e puérperas recebam as doses da Coronavac. Na capital paulista, será também oferecida a vacina da Pfizer. Por enquanto, a vacinação contra a covid-19 para grávidas e puérperas só é oferecida para aquelas maiores de 18 anos e que possuem comorbidades. A estimativa é que 100 mil gestantes sejam vacinadas.

O secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, destacou que o risco da covid-19 para as gestantes “é muito maior do que o apresentado por qualquer vacina”. Por isso, elas devem se vacinar contra a doença, que já matou mais de 800 grávidas no Brasil e vem se agravando.


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No ano passado, a média de mortes de grávidas pela covid-19 era de 10,5 por semana. Nos primeiros meses deste ano, passou para 25,8 óbitos por semana. Estudos apontam que as grávidas apresentam três vezes mais risco de ser intubadas em decorrência da covid-19 do que mulheres não grávidas da mesma idade.

Além dos documentos gerais para vacinação contra a covid-19, grávidas e puérperas gestantes e puérperas devem apresentar comprovante da condição de risco por meio de exames, relatório médico ou prescrição médica. As grávidas devem apresentar comprovante de estado gestacional (carteira de acompanhamento e/ou pré-natal ou laudo médico). As puérperas devem apresentar declaração de nascimento da criança.

Outros grupos

A partir do dia 21 de maio, o governo paulista vai incluir na vacinação contra a covid-19 as pessoas com comorbidades e as pessoas com deficiência permanente que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), com idades de 45 a 49 anos. Já estão sendo vacinados os mesmos grupos, com idades entre 55 e 59 anos. E na sexta-feira (14), começam aqueles com 50 a 54 anos. Confira a lista de comorbidades ao final do texto.

Também estão sendo vacinadas as pessoas com Síndrome de Down, com insuficiência renal que fazem terapia renal substitutiva e pessoas que fizeram transplante de órgãos, com idades de 18 a 59 anos. Além dos documentos gerais para vacinação contra a covid-19 em São Paulo, pessoas dos grupos com comorbidades, com insuficiência renal, Síndrome de Down e transplantados deverão comprovar a condição por meio de exames, relatório médico ou prescrição. Cadastros de pacientes já existentes nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) poderão ser utilizados como comprovação.


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As pessoas com deficiência permanente deverão apresentar comprovante de recebimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Confira abaixo quais são as condições de saúde consideradas comorbidades pelo Ministério da Saúde.

Entre os trabalhadores dos transportes coletivos, serão vacinados todos os operadores de trens, independente da idade, e funcionários que têm contato com o público e idade a partir de 47 anos. Na prioridade por idade, estão sendo vacinados atualmente os idosos com 60, 61 e 62 anos.

O governo paulista também anunciou hoje a criação de postos de vacinação em estações do Metrô, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). No entanto, a maioria dos postos ficará concentrada na zona leste da cidade.

As pessoas poderão se vacinar em quatro estações da CPTM: Guaianases (Linha 11-Coral), São Miguel Paulista, Jardim Helena-Vila Mara e Itaim Paulista, na Linha 12-Safira. Também haverá postos de atendimento na estação Corinthians-Itaquera (Linha 3-Vermelha do Metrô) e no Terminal de Ônibus São Mateus, da EMTU.

A partir do dia 17 de maio a vacinação também estará disponível nas estações República, Pinheiros e Butantã, da Linha 4-Amarela. O funcionamento será das 9h30 às 17h.

É importante realizar o cadastro da vacinação contra a covid-19 previamente, para reduzir o tempo de espera nos locais de aplicação da vacina. O cadastro pode ser feito pelo aplicativo de mensagens WhatsApp ou no site Vacina Já. Para preencher o formulário no aplicativo, basta adicionar o número: (11) 95220-2923. E mandar um “oi”. Em seguida, a pessoa uma lista de opções pelo próprio aplicativo. Para prosseguir com o cadastro basta escolher a opção B e seguir as instruções. O cadastro prévio não é obrigatório, mas evita que seja necessário fazê-lo na hora da vacinação.

Relação de comorbidades definidas pelo Ministério da Saúde para vacinação contra a covid-19 em São Paulo:
  • Doenças Cardiovasculares
  • Insuficiência cardíaca (IC)
  • Cor-pulmonale (alteração no ventrículo direito) e Hipertensão pulmonar
  • Cardiopatia hipertensiva
  • Síndromes coronarianas
  • Valvopatias
  • Miocardiopatias e Pericardiopatias
  • Doença da Aorta, dos Grandes Vasos e Fístulas arteriovenosas
  • Arritmias cardíacas
  • Cardiopatias congênitas no adulto
  • Próteses valvares e dispositivos cardíacos implantados
  • Diabetes mellitus
  • Pneumopatias crônicas graves
  • Hipertensão arterial resistente (HAR) | Hipertensão arterial – estágio 3 | Hipertensão arterial – estágios 1 e 2 com lesão e órgão-alvo
  • Doença Cerebrovascular
  • Doença renal crônica
  • Imunossuprimidos (transplantados; pessoas vivendo com HIV; doenças reumáticas em uso de corticoides; pessoas com câncer).
  • Anemia falciforme e talassemia maior (hemoglobinopatias graves)
  • Obesidade mórbida
  • Cirrose hepática