Guerra de informação

Em nota, Anvisa rebate críticas a sua decisão de vetar Sputnik V

O presidente da agência reguladora brasileira, Antônio Barra Torres, deve prestar depoimento à CPI da Covid, no Senado, nesta quinta-feira (6)

Divulgação/Twitter Sputnik
Desenvolvedores da Sputnik têm feito sistemática divulgação sobre os usuários do imunizante no mundo

São Paulo – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou, nesta quarta-feira (5), uma nota em que rebate desconfianças, críticas e ataques à sua decisão de barrar a importação da vacina russa Sputnik V. O órgão afirma ter baseado a decisão em “preceitos básicos da conduta técnica para a aprovação das vacinas”. “Há rigor técnico sim em reuniões e trocas de informações, mas não falta respeito pelos países e suas autoridades e nem pelo desenvolvimento científico e pelos esforços que todos estão realizando na tentativa de colocar mais vacinas à disposição da população brasileira”, diz a agência. O presidente da agência, Antônio Barra Torres, deve prestar depoimento à CPI da Covid, no Senado, nesta quinta-feira (6).

Na nota, a Anvisa afirma que tem exigido “questões básicas” para a Sputnik V, que, segundo ela, não deveria ser motivo de indignação. Lista uma série de “questões” que alega estarem faltando na relação exigida junto ao Centro Gemaleya, desenvolvedor do imunizante. Entre eles, relatório técnico ou dados de toxicologia, como estudos que comprovem que a vacina não tem toxicidade para os órgãos reprodutivos e para o feto.

Outros pontos faltantes citados são dados de segurança por faixa etária, segurança para aplicação em pessoas idosas e para as que já tiveram a covid-19. Também é mencionada a questão do adenovírus replicante, elemento que a agência vem destacando para justificar a negativa de autorização. “O principal motivo da decisão para não autorizar a importação foi a falta de informações sobre a segurança, a qualidade e a eficácia do imunizante”, diz a Anvisa.

“Anvisa mente”?

Na semana passada, em seu perfil oficial no Twitter, a Sputnik V afirmou que a agência brasileira mente e a recusa da vacina “é de natureza política”. Em declaração conjunta, o Gemaleya e o Fundo Russo de Investimento Direto afirmaram que o imbróglio decorre de pressão “direta do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, que em seu relatório anual de 2020 divulgado meses atrás, publicamente declarou que o adido de saúde dos EUA ‘persuadiu o Brasil a rejeitar a vacina Russa COVID-19’”.

Depois disso, os desenvolvedores da Sputinik V anunciaram ação na Justiça contra a Anvisa por “por espalhar informações falsas”. Em seguida, Barra Torres fez um pronunciamento para “refutar grave acusação que impacta na confiança, na credibilidade da autoridade sanitária do Estado brasileiro”.  

A vacina Sputnik/Gemaleya é utilizada em mais de 60 países. Seus desenvolvedores têm feito sistemática divulgação no Twitter sobre os usuários do imunizante em diversas partes do mundo. Hoje, por exemplo, tuitou, entre outros, post em que o ator argentino Ricardo Darín aparece como personalidade que “recebeu a primeira dose da vacina”.

Na sessão desta quarta da CPI da Covid, o senador Otto Alencar (PSD-BA) criticou a Anvisa. Ele afirmou ter trabalhado pela liberação de um medicamento, o antiviral Remdesivir, desde o ano passado. “Mas liberaram só em março deste ano. Estão fazendo a mesma coisa com a vacina Sputnik, que não estão querendo liberar, e tem eficácia”, disse. Em março, a reguladora brasileira aprovou o uso do Remdesivir para ser utilizado contra a Covid-19. É o primeiro medicamento recomendado em bula para esse fim. Foi desenvolvido originalmente para combater o ebola, mas não obteve resultados nesse caso.