PRECIPITAÇÃO

Média de mortes por covid-19 sobe por relaxamento. ‘Brasil não terá estrutura para aguentar’

Media de mortes no Brasil fica acima das 3 mil por dia pelo quinto dia consecutivo. Em São Paulo e outros estados, é cedo para qualquer relaxamento

Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Ontem, o Brasil totalizou 361.884 vítimas desde o início da pandemia, em março de 2020. A média móvel de mortes está em 3.015, nos últimos sete dias

São Paulo – O Brasil registrou, na última quarta-feira (14), mais média diária de mortes pela covid-19 acima de 3 mil pelo quinto dia consecutivo. De acordo com o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19, o fato de os estados estarem relaxando as medidas de restrição resulta numa estagnação em alta na curva de contágio e de mortes. Ontem, o Brasil totalizou 361.884 vítimas desde o início da pandemia, em março de 2020. A média móvel de mortes está em 3.015, nos últimos sete dias. Diante desse cenário, Isaac endossa a expectativa do presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e secretário de saúde do Estado do Maranhão, Carlos Lula, que alerta para 400 mil vítimas da covid-19 ainda em abril.

“Faz sentido essa expectativa. Nós chegamos no ponto de desaceleração, mas estamos no platô, ou seja, todos os dias teremos números altos de óbitos e internações por casos de covid-19 no Brasil. Todo dia está com mais de 3 mil mortos e não terá estrutura que aguentará isso”, afirmou o cientista o jornalista Glauco Faria, da Rádio Brasil Atual, nesta quinta-feira (15). O coordenador da Rede Análise Covid-19 aponta que os governos estaduais estão relaxando antes do momento certo. Ao desacelerar os alto números de óbitos e hospitalizações, as medidas de isolamento social já são menos restritivas, o que dificulta numa queda acentuada de casos.

Região Sul

Um dos exemplos citados por ele é a região Sul do Brasil, principalmente Rio Grande do Sul e Paraná. O primeiro estava em queda na transmissão da covid-19, mas desacelerou, após relaxamento das atividades em boa parte do estado. Já o Paraná, está próximo de estabilizar a queda e pode haver reversão na curva de casos.

“Nós deixamos o foguete decolar, chegar na estratosfera e estabilizou lá em cima. Em São Paulo e até outros estados, a curva não desceu em nada, ou seja, é cedo para qualquer relaxamento. Se você relaxa muito, isso abre espaço para muitos casos ativos que não passam no radar do governo. Quando faço relaxamento da mobilidade, as pessoas entram em contato com casos ativos e cria uma bola de neve. No Rio Grande do Sul, o boletim de ontem, mostrava que a queda de hospitalizações desacelerou, ou seja, houve uma antecipação precipitada do relaxamento”, explica o especialista.

“O governo de São Paulo e a prefeitura da capital têm sistematicamente ignorado as recomendações dos cientistas e de instituições científicas e sanitárias”

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a Rede Análise Covid-19 e Observatório Covid-19 Brasil publicaram, na última segunda-feira (12), uma nota técnica alertando para o riscos sobre a volta às aulas presenciais. De acordo com cientistas, “não é hora de retomar as aulas presenciais nas escolas” e é preciso “garantir as condições adequadas para a oferta do ensino remoto emergencial”.

Em São Paulo, por exemplo, os alunos voltaram às escolas ontem na rede estadual, após determinação do governador João Doria (PSDB). Na nota, as entidades afirmam que a decisão não tem a devida análise do contexto epidemiológico e das condições da infraestrutura das instituições de ensino. “O governo de São Paulo e a prefeitura da capital têm sistematicamente ignorado as recomendações dos cientistas e de instituições científicas e sanitárias”, alertam.

Schrarstzhaupt afirma que as aulas presenciais expõe alunos e profissionais da educação ao risco. “A gripe, por exemplo, sempre tem grandes indicadores na volta às aulas, porque é quando aumenta muito a circulação de pessoas. A quantidade de crianças e professores que entrarão em contato com casos ativos, principalmente durante o deslocamento, vai criar mais carga para o sistema de saúde, que não tem condições de receber mais infectados”, afirmou.

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