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Doria inventa fase de transição para flexibilizar quarentena, mesmo com mais de 800 mortes por dia

Com todos os índices da pandemia em fase vermelha, governo Doria criou fase de transição para naturalizar situação e reabrir comércio

GovSP/Divulgação
Doria e o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn: interesses dos empresários acima da vida das pessoas levou à criação da fase de transição

São Paulo – O governo de João Doria (PSDB) anunciou hoje (16) uma fase de transição no Plano São Paulo para flexibilizar a quarentena mesmo com todos os índices da pandemia compatíveis com a fase vermelha, com ocupação de unidades de terapia intensiva (UTI) acima de 80% em todo o estado e média de 827 mortes por covid-19 por dia. Na prática, a nova fase permitirá a reabertura de todos os comércios e serviços nas próximas duas semanas, com operação semelhante à da fase laranja. Serão mantidos apenas o toque de recolher entre 20h e 5h e as sugestões de home office para serviços administrativos e escalonamento de horários de entrada e saída dos trabalhadores.

O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, Paulo Menezes, justificou a criação da fase de transição com a ínfima redução nos índices da pandemia. “Com a fase vermelha, tivemos estabilização na velocidade de crescimento da pandemia e internações em UTI. A partir de 4 de abril passamos a ter o mesmo número de pacientes ingressantes e saindo das UTIs. E agora começamos a reduzir, em média, 0,8% ao dia. A sociedade tem outras necessidades e é preciso que todos sobrevivamos a essa pandemia”, afirmou.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, disse que a fase de transição é um “modelo de gestão entre saúde e economia”. Apesar da justificativa de uma necessidade econômica da população, o governo Doria não usou do poder econômico do estado mais rico do país para conceder qualquer tipo de auxílio emergencial que permitisse à população aderir ao isolamento social sem passar necessidades.


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No entanto, os dados divulgados pelo próprio governo Doria mostram que nenhum dos parâmetros utilizados para monitorar o avanço da pandemia de covid-19 permite uma flexibilização da quarentena, conforme as regras criadas pelo próprio governo. Das 17 regiões do estado, 14 apresentaram uma pequena redução na taxa de ocupação de UTI nas últimas duas semanas. Mas nove delas ainda estão com mais de 90% de ocupação de UTI. E todas as demais estão acima de 83%.

Uma situação delicada, que pode levar a um novo colapso rapidamente em caso de novo aumento repentino de casos com a flexibilização proposta pela fase de transição.

A redução de novas internações apresentada por Menezes, menor que 1%, esconde que a média de internações diárias por covid-19 em São Paulo ainda é de 2.400, número ainda muito superior ao que ocorria em fevereiro e janeiro deste ano e em todo o ano passado. O total de pacientes internados é de 25.063, sendo 11.756 em UTI e 13.307 em enfermarias.


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Além disso, os parâmetros de novos casos, internações e mortes por covid-19, por 100 mil habitantes, estão acima dos limites máximos estabelecidos pelo Plano São Paulo. O limite mais alto para mortes, por exemplo, é de 8 por 100 mil habitantes por dia. Mas hoje são registradas 24 mortes por 100 mil habitantes por dia, o triplo do máximo.

Em relação aos novos casos, a proporção é de 360 casos diários por 100 mil habitantes. Hoje, são 465 novos casos de covid-19 por dia no estado, sendo que seis regiões têm mais de 600 novos casos por dia. E no caso das internações, o parâmetro máximo é de 60 por 100 mil habitantes por dia, mas hoje está em 82 internações por 100 mil habitantes.

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Funcionamento da fase de transição

A fase de transição é a terceira mudança do governo Doria na forma de avaliar a evolução da pandemia. As regras começam a valer a partir da 0h do próximo domingo (18) e vão herdar da fase vermelha o toque de recolher entre 20h e 5h. Também segue como sugestão que as atividades administrativas sejam realizadas em home office e que seja feito um escalonamento de horários de entrada e saída dos trabalhadores do comércio, dos serviços e da indústria.

Entre o próximo domingo e o dia 23, podem ser reabertas todas as atividades comerciais, com funcionamento das 11h às 19h e limite de 25% de ocupação dos espaços. Cultos religiosos também podem voltar a ser realizados presencialmente, com limite de 30% de ocupação dos espaços. Em todos os casos, devem ser observados os protocolos sanitários de cada serviço.

A partir do dia 24, restaurantes, salões de beleza, parques, clubes e espaços culturais poderão voltar a funcionar, com as mesmas regras de horário e lotação. As academias também voltam a funcionar, mas em dois horários: das 7h às 11h e das 15h às 19h.

As escolas também seguem funcionando na fase de transição, com limite de 35% dos estudantes e frequência presencial opcional.


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