Gestão tucana

Criação da fase de transição por Doria bate com melhora na situação dos hospitais privados

Além da pressão de empresários, Doria criou fase de transição respondendo a uma queda na ocupação de UTI na rede privada que não se reflete na rede pública

Mário Oliveira/Semcom
Fase de transição afrouxa a quarentena num momento em que os hospitais públicos seguem lotados, mas rede privada teve certo alívio

São Paulo – Um dia antes do governo de João Doria (PSDB) criar a fase de transição para afrouxar a quarentena em São Paulo, mesmo com todas as regiões do estado com alta ocupação de unidades de terapia intensiva (UTI) para pacientes de covid-19, os hospitais privados informaram uma significativa redução de pacientes internados. Enquanto no estado a redução de pacientes internados em UTI foi de 11,82%, na rede privada ficou entre 25% e 44%. Para a deputada estadual, Professora Bebel, líder do PT na Assembleia Legislativa paulista, a situação mostra que o governo Doria não se importa com a população trabalhadora.

Em 14 dias, houve redução de 11,82% no número de pacientes em UTI em São Paulo. No dia 3 de abril, após 20 dias de fase emergencial, havia 30.515 pacientes internados, sendo 13.098 em UTI e 17.417 em enfermaria. No último sábado (17), eram 24.472 internados, sendo 11.549 em leitos de terapia intensiva e 12.923 em enfermaria.

No mesmo período, o Hospital Israelita Albert Einstein registrou queda de 43,9% no número de pacientes internados com covid-19, de 282 para 158. O Hospital Sírio Libanês registrou uma queda de 27,7%, indo de 213 pacientes internados com covid-19, para 154. Já a Rede D’Or São Luiz registrou queda de 30% e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz teve redução de 49% nas internações. E o Hospital do Coração (HCor) registrou queda de 35% nos atendimentos de pacientes com Covid-19.

Prioridades

Outros hospitais da rede privada tiveram menores reduções do número de pacientes internados com covid-19, mesmo assim maiores que as registradas no estado. O Hospital Santa Catarina registrou queda de 28% em uma semana. O Hospital São Camilo teve queda de 22,7%. E o Hospital Nipo-Brasileiro registrou queda de 7%.

“A população trabalhadora nunca foi prioridade ou preocupação do governo Doria. Ele governa com e para os empresários. A preocupação dele sequer é com os pequenos comerciantes ou com a classe média. Desde o início da pandemia, não desenvolveu uma única política para apoiar os segmentos mais vulneráveis para que pudessem permanecer em isolamento social. Os resultados aí estão: uma verdadeira catástrofe sanitária e a pandemia sem controle no estado de São Paulo”, disse Bebel.

O único programa de apoio financeiro à população criado pelo governo Doria exige que os participantes trabalhem presencialmente nas escolas, o que anula qualquer possibilidade de ampliar o isolamento social.

“É um absurdo, um abuso, total falta de sensibilidade social e uma forma de negacionismo. Para prestar um auxílio de R$ 500,00, o governador quer expor pais e mães de família ao vírus, nos deslocamentos em transporte público e no trabalho nas escolas, que são focos de contaminação. É obrigação do Estado instituir um auxílio emergencial de R$ 600,00 para que essas pessoas possam, justamente, permanecer em suas casas, protegerem-se do coronavírus e, assim, defenderem a saúde e a vida de suas famílias”, criticou Bebel.

Pandemia descontrolada

No entanto, embora as internações de pessoas com covid-19 tenham caído, ainda que de forma desigual, os demais parâmetros mostram que a situação ainda é de descontrole da pandemia e a flexibilização prematura pode levar a uma nova explosão de casos, internações e mortes. A média de internações diárias de pacientes com covid-19 ainda é de 2.400. Só hoje foram registradas 2.008 novas internações.

Nos últimos 14 dias, o estado registrou uma queda de 1,13% no número de novos casos. Porém, em número absolutos, a situação ainda é a pior de toda a pandemia. Nas duas últimas semanas, foram registrados 219.517 casos de covid-19. Nos 14 dias anteriores, foram 222.111.

Na mesma linha, o número de mortes por covid-19 tem se multiplicado em São Paulo. Nos últimos 14 dias, houve aumento de 21,7% nos óbitos. Foram 11.356 pessoas mortas devido à infecção pelo novo coronavírus, em duas semanas. Destas, 5.695 apenas na última semana.

A taxa de ocupação de UTI está em 83% no estado de São Paulo e 80,8% na Grande São Paulo. Araçatuba, Araraquara, Barretos, Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista e Sorocaba, ainda estão com ocupação de UTI acima de 90%. Bauru, Campinas, Franca, Registro, São José do Rio Preto e Taubaté estão entre 80% e 90%. Apenas a Baixada Santista e Piracicaba estão abaixo de 80%, que seria compatível com a fase laranja da quarentena.

Fase de transição

A fase de transição teve início ontem (18). Na prática, todos os setores econômicos poderão voltar a funcionar até o próximo sábado (24), mesmo com todos os índices da pandemia ainda estando em situação de fase vermelha. Podem ser reabertas todas as atividades comerciais, com funcionamento das 11h às 19h e limite de 25% de ocupação dos espaços. Cultos religiosos também podem voltar a ser realizados presencialmente, com limite de 30% de ocupação dos espaços. Em todos os casos, devem ser observados os protocolos sanitários de cada serviço.

A fase de transição será ampliada a partir do dia 24, restaurantes, salões de beleza, parques, clubes e espaços culturais poderão voltar a funcionar, com as mesmas regras de horário e lotação. As academias também voltam a funcionar, mas em dois horários: das 7h às 11h e das 15h às 19h. As escolas também seguem funcionando na fase de transição, com limite de 35% dos estudantes e frequência presencial opcional.


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