tragédia diária

Covid-19 no Brasil tem 82 mil mortes apenas em um mês, e país caminha para superar EUA

OMS destaca que o país vive uma “crise aguda” desde o início de novembro. Doença segue com número diário de mortes e casos em patamares elevados

© Isaac Fontana/HU Londrina
Números da covid no Brasil seguem altos. Permanência em patamares de 2.500 mortes diárias pode significar que, até julho, o Brasil pode passar de 600 mil vítimas da pandemia

São Paulo – O Brasil registrou 2.595 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Um dia após superar a marca de 400 mil vítimas, o país chega a 403.781. Em relação ao número de novos casos, foram 68.333 no último período, totalizando 14.659.011 desde o início da pandemia, em março de 2020. Após atingir um pico na primeira semana de abril, com mais de 21 mil mortos, o país passou a ver uma tendência de ligeira redução na média diária de mortes diárias. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vê um movimento de estabilização deste patamar. Porém, um patamar elevado, pois, que caso se mantenha acima das 2.500 mortes diárias pode significar, até julho, um acúmulo de 600 mil mortes pela covid-19.

Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

Como os Estados Unidos, hoje com 580 mil vítimas, estão em período de forte redução de casos e mortes em razão da vacinação acelerada no país, o Brasil pode ser tornar em termos absolutos o país mais letal do mundo. Os indicadores caminham tristemente nessa direção, pois depois de um recorde alcançado em um único mês, em março, com 66.573 mortes, abril está terminando com 82.336. A RBA utiliza informações fornecidas pelas secretarias estaduais, por meio do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Eventualmente, elas podem divergir do informado pelo consórcio da imprensa comercial. Isso em função do horário em que os dados são repassados pelos estados aos veículos. As divergências, para mais ou para menos, são sempre ajustadas após a atualização dos dados.

Crise aguda

A Organização Mundial da Saúde (OMS) concedeu entrevista coletiva hoje (30) para falar sobre a covid-19 no mundo. O epicentro da doença no momento é a Índia, que vem registrando recordes de casos e mortes, com número de infectados diários superando os 300 mil durante esta semana. Entretanto, o Brasil também voltou a ser tema da entidade. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, disse que “desde o início de novembro o Brasil vive uma crise aguda, com o aumento dos casos de Covid-19, internações e óbitos, inclusive entre os mais jovens. Durante o mês de abril, as unidades de terapia intensiva estiveram quase em capacidade máxima em todo o país”.

Diplomacia

Contudo, Tedros adotou uma postura mais diplomática com o Brasil. Durante o último mês, a OMS tem disparado ataques severos contra a gestão da pandemia no país, especialmente em âmbito federal. A entidade classificou o país como “risco ao mundo” por ser “celeiro” de novas mutações do vírus, já que pouco se faz para conter a pandemia.

Tedros destacou que a covid recuou no Brasil nas últimas semanas e apontou que medidas para frear o vírus devem prosseguir. Entretanto, a realidade é diferente. Estados e municípios, ao menor sinal de estabilidade da pandemia, abandonaram ações de proteção da vida, como isolamento social. Os resultados já começam a aparecer, com a covid-19 apontando crescimento em São Paulo.

“Os casos agora diminuíram por quatro semanas consecutivas, e as internações e mortes também estão diminuindo. Isso é uma notícia boa e esperamos que essa tendência continue”, disse Tedros. A postura mais tranquila do diretor-geral teve relação com o ministro da Saúde, Maurício Queiroga, que foi convidado para participar da coletiva. Ele disse que a expectativa é de vacinar todos os brasileiros até o fim do ano. Entretanto, é possível questionar essa afirmação, já que mês após mês, o Brasil reduz a estimativa de entrega de vacinas.

A OMS convida chefes de pastas da Saúde de todo o mundo para essas coletivas. Na última semana, participou o executivo do pequeno país da Oceania Papua Nova-Guiné.