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Brasil a um dia de 14 milhões de casos e 375 mil mortes por covid-19

Brasil registra mais 1.347 mortes em 24 horas. Para pesquisadores da Fiocruz, país pode ter alcançado o pico da segunda onda

Pedro Guerreiro/Ag Pará
Tendência de platô durante o pior momento, que pode levar a 270 mil mortos até julho. Última semana foi a segunda mais mortal da pandemia

São Paulo – O Brasil registrou nesta segunda-feira (19) mais 1.347 mortes por covid-19 em um período de 24 horas. Desde o início do surto, em março de 2020, já são 374.682 vítimas da doença, de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Ou seja, ainda no fim da noite de hoje, serão 375 mil vítimas oficiais da pandemia no país. O número não leva em conta grande número de mortos e infectados que não realizaram testes de covid-19, que não são distribuídos e aplicados de forma adequada no país. A falha leva a uma ampla subnotificação, denunciada por cientistas e reconhecida por autoridades.

No mesmo período, foram registradas 30.624 novas infecções pelo vírus Sars-Cov-2. Com o acréscimo, o país está a um dia de bater a marca de 14 milhões de casos oficiais, com 13.973.695. Às segundas-feiras, os registros são inferiores aos reais, já que existe um menor número de profissionais da Saúde ativos no domingo, especialmente na medicina laboratorial. Isso provoca distorção no balanço do início das semanas, algo que tende a ser corrigido nos próximos dias.

Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

RBA utiliza informações fornecidas pelas secretarias estaduais, por meio do Connas. Eventualmente, elas podem divergir do informado pelo consórcio da imprensa comercial. Isso em função do horário em que os dados são repassados pelos estados aos veículos. As divergências, para mais ou para menos, são sempre ajustadas após a atualização dos dados.

A semana

A covid-19 segue em patamares elevados em todo o país. De acordo com analistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) o Brasil parece ter alcançado o pico da segunda onda. E no pico deve persistir. Isso, porque os estados abandonaram, em quase a totalidade, medidas de isolamento social e protetivas da população. Sem levar em conta a influência do governo federal, que incentiva aglomerações e atua contra o combate à covid-19.

A tendência de platô durante o pior momento, que pode levar a 600 mil mortos até agosto, é confirmada pelos números dos últimos períodos. A última semana foi a segunda mais letal desde o início da pandemia. Foi superada apenas pela semana anterior. Morreram, nos sete dias da semana passada, 20.344 brasileiros. Já em relação ao número de casos, foi a sexta semana com maior número de infectados, sendo superada pelas cinco anteriores. Novos registros somaram 455.085.

Mortos por semana epidemiológica no Brasil. Fonte: Conass

Estabilidade

A Fiocruz credita a desaceleração do crescimento da covid-19 no Brasil, às medidas de isolamento social que vinham sendo mantidas pelos estados. Entretanto, elas estão sendo flexibilizadas dia após dia. E antes de hora, na avaliação dos cientistas. “As quedas podem ser atribuídas às medidas de distanciamento implementadas em todo o país”, afirma o responsável pelo sistema InfoGripe da Fiocruz, pesquisador Marcelo Gomes.

Entretanto, a entidade também considera que a falta de leitos para pacientes graves em estados que estão em colapso do sistema de Saúde pode impactar nestes dados. “A análise pode ajudar a entender se existe de fato uma redução na ocorrência de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por covid-19 ou se a queda é aparente, sendo um reflexo do limite de novas internações pela falta de leitos”, afirma.

Enquanto isso, o Brasil segue a vacinação em ritmo lento. São 32,8 milhões de doses aplicadas, sendo que 15,44% tomaram uma primeira dose e 3,76% estão totalmente imunizados. Com o vírus circulando fora de controle, existe uma unanimidade na importância de acelerar o processo. Hoje, o país está com taxa de vacinação atrás de mais de 60 países.


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