tragédia sem fim

Brasil supera 400 mil mortes por covid-19, mas podem ter sido muitas mais

De acordo com dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) as mortes são mais do que os dados oficiais revelam. Levantamento aponta para 514.859 vítimas

Arquivo/Lula Marques
Entre as razões pela subnotificação está a baixa quantidade de testes e a má gestão da pandemia em âmbito nacional. Durante todo o período de crise, não houve coordenação nacional no combate ao vírus

São Paulo – O Brasil ultrapassou a marca de 400 mil mortes pela covid-19. Mais precisamente, 401.186 perderam a vida, segundo os registros oficiais desde 12 de março do ano passado, quando o país deparou com o primeiro óbito da pandemia do novo coronavírus. Somente nas últimas 24 horas foram identificados 69.389 novos casos de covid-19, e 3.001 mortes, de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Esses números, porém, não são o retrato fiel da trágica realidade, já que existe uma grande subnotificação no país. Entre as razões pela imprecisão dos registros está a baixa quantidade de testes e a má gestão da pandemia em âmbito nacional. Durante todo o período de crise, em vez de uma coordenação nacional para o combate ao vírus, o governo de presidente Jair Bolsonaro atuou para impedir medidas protetivas à população.

Em toda a pandemia, 14.590.678 pessoas foram infectadas, sem contar as que não realizaram testes ou que são assintomáticas para a doença. O valor do contágio é superior à média móvel atual, calculada em sete dias, que está em 60.386; o que revela que o descontrole no surto segue. Já a média móvel de mortos está em 2.526. Hoje encerra um período de queda neste indicador que vigora desde o dia 17 de abril.

Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

RBA utiliza informações fornecidas pelas secretarias estaduais, por meio do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Eventualmente, elas podem divergir do informado pelo consórcio da imprensa comercial. Isso em função do horário em que os dados são repassados pelos estados aos veículos. As divergências, para mais ou para menos, são sempre ajustadas após a atualização dos dados.

Realidade

De acordo com dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) as mortes podem, inclusive, já superado a marca de 500 mil. O biólogo e divulgador científico Atila Iamarino observa que o país já teve desde o início da pandemia mais de 500 mil óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), ou covid sem diagnóstico. “Só sabemos esse número graças a testes, secretarias de saúde, centros de pesquisa e imprensa. Que continuem trabalhando para registrar nosso controle dessa situação”, disse.

Os dados da Fiocruz apontam para 514.859 mortes no Brasil por SRAG desde o início da pandemia de covid-19. Diante deste cenário, assim como a Fiocruz, Atila lamenta a suspensão de medidas de isolamento social adotadas por estados e municípios entre março e meados de abril. Segundo o pesquisado, estamos “à beira de ver o número voltar a piorar com reabertura e feriado pela frente”.

A recomendação do cientista é para redobrar os cuidados. Caso o Brasil se mantenha em um patamar de estabilidade com média de mortes chegando a picos de 3 mil por dia, o país pode ultrapassar as 600 mortes oficiais até o meio do ano, se nada seja feito. “Com mais mortes nos primeiros meses de 2021 do que no ano passado inteiro, já podemos dizer que este ano é pior do que ano passado. Alguma hora temos que aceitar que se não agirmos, se não combatermos a covid, a situação não melhora.”

400 mil

O Brasil é o segundo país com maior número de mortes no mundo, atrás dos Estados Unidos apenas, mas caminha para superar. Os norte-americanos reduzem dia a dia o contágio a partir de um intensivo programa de vacinação. A estimativa do governo local é de que 90% dos residentes no país possuem acesso rápido à vacina, sendo que mais de 40% já tomou alguma dose. Os Estados Unidos somam pouco menos de 560 mil mortes e 33 milhões de casos.

“400 mil mortes. Vacinação a conta gotas. Fome batendo na porta de milhões de brasileiros. O Brasil só volta a respirar quando tirar o covarde que senta na cadeira de presidente”, criticou o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. “É como se todos os moradores de 128 cidades paulistas tivessem morrido em pouco mais de um ano. São 400 mil vidas perdidas, 400 mil amores de alguém. Esse é o tamanho do genocídio, esse é o tamanho da tragédia evitável que tentam esconder”, completou.


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A cineasta Petra Costa também expressou indignação com o cenário brasileiro. “400 mil mortes. Vocês ainda lembram do tempo em que esse fato estarrecedor teria provocado em nós toda a dor, a raiva, a tristeza, a indignação e a revolta coletiva que estão faltando neste Brasil?”

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse: “400 mil mortes por coronavírus. A maior tragédia da história brasileira. Minha solidariedade profunda e afetuosa com as famílias das vítimas”. Ele foi seguido por um pronunciamento oficial do diretório nacional do PT: “400 mil mortes: nome disso é extermínio. A única solução para acabar com esse massacre é o fim do governo Bolsonaro”. A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) lembrou que o cenário vem se agravando.

“400 mil mortes. 100 mil apenas nos últimos 36 dias. A morte por uma doença para a qual existe vacina não é natural, não é aceitável. É assassinato deliberado em massa. Minha solidariedade às famílias. Que façamos de nossos lutos a luta intransigente pra derrubar este genocida!”, disse.


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