a conta chegou

Com 98% de ocupação dos leitos de UTI, Distrito Federal vive situação crítica da covid-19

Governador Ibaneis Rocha (MDB), chegou a decretar medidas rígidas de isolamento, mas recuou diante da pressão por manter a atividade econômica. Parlamentares defendem trabalho remoto e aceleração da vacinação

Acácio Pinheiro / Agência Brasília
A situação do Distrito Federal é agravada pela rotatividade de pessoas de todos os estados que passam pela capital

São Paulo – O governo do Distrito Federal, chefiado por Ibaneis Rocha (MDB), decretou entre sexta-feira (26) e sábado uma série de medidas de isolamento social. No Distrito Federal, a situação é crítica com mais de 95% de UTIs ocupadas. A ideia é que as medidas de restrição contribuam para reduzir a ocupação de leitos para pelo menos 85%. No Distrito Federal, a situação é crítica com mais de 95% de UTIs ocupadas. Ainda na sexta-feira, Brasília chegou a ter apenas um único leito de UTI disponível em toda a sua rede pública.

Entretanto, pressionado por comerciantes e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, o governador recuou. Hoje (1º) o decreto de isolamento foi diminuído, passando a incluir um número grande de estabelecimentos não essenciais autorizados a funcionar. Entre eles, cartórios, materiais de construção, hotéis, papelarias, igrejas e escritórios de advocacia e contabilidade.

A situação do Distrito Federal é agravada pela rotatividade de pessoas que passam pela capital. “O espaço virou um ‘covidário’ nas últimas semanas”, nas palavras do deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP). Além de 513 deputados federais e 81 senadores de todo o país, a região abriga todos os trabalhadores envolvidos na máquina pública das esferas do Executivo, Legislativo e Judiciário. Também recebe um gigantesco fluxo diário de pessoas que vão diariamente a Brasília por diferentes razões, ampliando o risco para covid.

A conta chegou

Padilha, que é médico e ex-ministro da Saúde, tem toda a equipe de seu gabinete em regime de home office desde o início da pandemia. Agora, diante do agravamento do surto, ele defende que a Câmara retome sessões exclusivamente de forma remota. Outros deputados, de diferentes correntes políticas, também defendem essa modalidade de trabalho. Na quinta-feira (25), o deputado Pedro Westphalen (PP-RS), que foi relator da Medida Provisória das Vacinas, suspendeu todas as atividades presenciais em seu gabinete em Brasília e também no seu escritório de Porto Alegre.

Padilha argumenta que a má condução do surto de covid-19 pelo governo Bolsonaro é responsável pelo cenário trágico atual. “A conta da irresponsabilidade chegou. Enquanto o mundo abriu serviços de saúde, fechou as cidades e acelerou a vacinação, o Brasil fechou leitos, abriu as cidades e criou obstáculos para a vacina”, disse.

Insustentável

Na avaliação do ex-ministro, a postura de Bolsonaro é clara em não tratar a covid-19 com a seriedade que a maior crise sanitária em mais de 100 anos exige. “O ministério precisa coordenar as restrições, adaptando às realidades regionais. Não dá para adotar uma decisão única de fechamento num país heterogêneo assim. Mas, em algumas regiões, ou se faz lockdown ou será inevitável o colapso do sistema de saúde em duas semanas. E as decisões têm de ser regionais”, disse.

Ações

A covid-19 mata mais de 1.200 pessoas por dia em média no Brasil. Já são 255 mil vítimas, sem contar a subnotificação. O país atravessa o pior momento do surto desde que a pandemia foi decretada, em março de 2020. Todos os estados assistem o estrangulamento da rede hospitalar – pública e privada – e a ameaça cada vez mais real de falta de leitos.

O Brasil é o segundo país com mais mortes no mundo pela covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, mesmo testando pouco sua população, o que sugere, de acordo com especialistas, um cenário ainda mais grave do que mostram os números oficiais. Com o governo Bolsonaro e seus apoiadores atuando contra a preservação da vida, Padilha cobra a criação de uma frente para minimizar os danos. “Eu defendo que a gente constitua uma Comissão Nacional de Crise. Que atuem juntos, o Congresso Nacional, o Judiciário, os governadores, as lideranças dos prefeitos, um comitê de especialistas”, disse.

Em paralelo, o parlamentar não vê saída mais eficaz do que acelerar o processo de imunização dos brasileiros. “O mais importante é acelerar a vacinação, não faz sentido o Brasil estar com esse número de mortes, o sistema de saúde privado e público colapsado e o governo federal não estar acelerando as vacinas (…)”, afirmou. “Há três alternativas para acelerar a vacinação: aquisição imediata de vacinas da Pfizer e Janssen; autorização emergencial para incorporação da Sputnik V; e fazer uma solicitação emergencial para ampliar sua cota de vacinas da Covax junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), passando de 10% a 30% da população”, finalizou.


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