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Apenas 44 dos 645 municípios de São Paulo ainda têm leitos de UTI para covid-19

Governo de São Paulo informa ainda que 54 cidades estão com níveis críticos para oxigênio e medicamentos para intubação em UTI para tratar pacientes com a infecção

govesp
A falta de leitos de UTI para covid-19 já fez, pelo menos, 135 vítimas em São Paulo. Situação deve piorar

São Paulo – Apenas 44 municípios do estado de São Paulo ainda têm leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) para pacientes com covid-19, informou o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, nesta segunda-feira (22). Além disso, 54 cidades estão com níveis críticos de estoque de oxigênio e medicamentos para o procedimento de intubação de pacientes. A demanda por oxigênio cresceu 40% no estado no último mês. Mas, passadas três semanas de aplicação das fases mais restritivas da quarentena, o governo paulista não registrou melhoras na pandemia, com recordes de novos casos, internações e mortes sendo batidos todos os dias.


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A última semana foi a pior de toda a pandemia, com mais de 100 mil casos confirmados de covid-19 e quase 3.500 mortes em sete dias no estado. Na última semana, 22.305 pessoas foram internadas, também o maior número da pandemia. Apesar disso, o isolamento social não apresenta crescimento de adesão da população. Na comparação do último fim de semana da fase vermelha com o primeiro da fase emergencial, houve aumento de apenas um ponto percentual: de 46% para 47%, no sábado, e de 50% para 51%, no domingo.

São 28.638 pessoas internadas com covid-19 no estado de São Paulo, sendo 16.570 em enfermarias e 12.068 em UTI. Em quatro semanas, houve aumento de 110% no número de pacientes internados. A ocupação de UTI está em 91,2% no estado e 91,3% na grande São Paulo. Todas as regiões estão com ocupação de UTI acima de 84%. Sendo que 13 das 17 regiões estão acima de 90%.


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A única região que apresentou alguma estabilidade na situação foi Araraquara, onde um lockdown foi aplicado por dez dias, em algumas cidades da região, sob liderança do prefeito do município de Araraquara, Edinho Silva (PT). Um mês depois do início da medida, o número de novos casos caiu 57,5% e as mortes 39%. No entanto, a ocupação de UTI para covid-19 segue alta, na casa dos 90%, com uma média de 50 novas internações diárias.


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Segundo o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, Paulo Menezes, o estado praticamente não tem mais medidas restritivas para aplicar, já que fechamentos de fronteiras e aeroportos, por exemplo, dependem de ação do governo federal. Segundo ele, as medidas da fase emergencial são equivalentes ao lockdown. Ao mesmo tempo, o governador paulista, João Doria (PSDB), empurrou para os prefeitos a responsabilidade por decretar lockdown e ignorou os pedidos de 19 cidades da grande São Paulo por uma medida regionalizada, feitos na semana passada.

Menezes, no entanto, disse esperar que nesta semana os efeitos das fases mais restritivas comecem a ser percebidos. “Nos últimos três dias houve menor aumento das internações em UTI. O crescimento foi de 2,9% na sexta, 2,1% no sábado e 0,7% no domingo. Ainda é cedo para afirmar, mas esperamos que essa tendência se mantenha”, afirmou.


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No domingo passado (14), 356 pessoas foram transferidas para UTI covid-19 em São Paulo. Ontem (21), foram 87. No entanto, em parte essa redução no aumento de internações em UTI pode ser reflexo da falta de leitos em várias cidades. Em todo o estado, 135 pessoas morreram de covid-19 sem conseguir um leito de UTI para intensificação do tratamento. Dos 645 municípios do estado de São Paulo, apenas 105 possuem leitos de UTI para covid-19. Desses 71 não tinham mais leitos na sexta-feira (19). Hoje, são 61 que estão com ocupação máxima.


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