Sequelas

Seis meses após intubação por covid-19, 40% dos pacientes voltam a ser internados. E 25% morrem

Estudo mostra que recuperação de pacientes com covid-19 que foram intubados é relativa e problemas de saúde persistem após seis meses

hmdcc/REPRODUÇÃO
A exaustiva rotina de trabalho do médico tem sido de 80 ou 90 horas por semana. Nem quando chega em casa o dia termina

São Paulo – Em até seis meses após se recuperar da covid-19, cerca de 40% dos pacientes que precisaram ser intubados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) voltam a ser internados e 25% morrem devido às sequelas da doença. Esse é o resultado do estudo intitulado Coalizão, elaborado por oito hospitais particulares e centros de pesquisa. Entre pacientes que foram internados, mas não precisaram de intubação, a taxa de mortalidade após seis meses é de 2%.

O achado é considerado gravíssimo, em um contexto em que os governos elaboram políticas de convivência com a covid-19 e preferem garantir leitos para tratar os doentes, em vez de tentar impedir a propagação do novo coronavírus.

O Coalizão é baseado nos históricos dos pacientes internados devido à covid-19 nas próprias instituições. Eles foram acompanhados por meio de ligações telefônicas de três em três meses, até um ano após a alta hospitalar. São investigados eventos como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência respiratória (falta de ar). E também a retomada das atividades cotidianas.

Os dados ainda são preliminares, mas já revelam que, no período de até seis meses, a taxa de novas internações de pacientes que tiveram covid-19 foi de 17%. Entre os que precisaram ser intubados na primeira internação pela infecção, 40% tiveram que ser internados novamente. Além disso, 25% deles morreram nesse mesmo período. Os pesquisadores destacam que não foi o procedimento o que levou às pessoas a terem condições pioradas de saúde. Em vez disso, foi o quadro grave que levou à necessidade da intubação.

Persistentes e perigosos

O estudo Coalizão é conduzido pelos hospitais Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa e os institutos Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet).

Além da situação pós internação, dados do projeto UTIs Brasileiras, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), mostram que a mortalidade de pacientes com covid-19 em UTI já é bastante alta. Entre 650 hospitais acompanhados pela pesquisa, dos quais 249 públicos e 401 privados, a mortalidade de pacientes com a infecção internados em UTI é, em média, de 33%. Dentre os que necessitaram de intubação, a taxa de mortalidade sobre para 66%. Entre pacientes que também necessitam de hemodiálise, a taxa atual é de 73%.

Além disso, outros estudos que avaliam a persistência de sintomas em pacientes de covid-19 recuperados mostram que a maior parte deles continua sentindo alguns sintomas semanas ou meses depois. Dentre eles: 58% das pessoas continua sentindo fadiga, 44% sentem dores de cabeça, 27% dificuldade de atenção, 25% queda de cabelo, 23% perda de paladar, 21% perda de olfato, 24% falta de ar e 20% risco elevado para trombose venal.  


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