Mais que velocidade

O que falta para a revolução do 5G chegar ao Brasil e qual o potencial da nova rede

5G não é apenas uma rede mais rápida. Trará também vantagens que farão deslanchar inovações represadas por falta de estabilidade e de cobertura

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São Paulo – A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promete o leilão da quinta geração da telefonia celular (5G) no Brasil para este primeiro trimestre. Operadoras aguardam regras para decidir investimentos. A Coreia do Sul já conta com a rede 5G nacionalmente desde 2020. Nos Estados Unidos, algumas cidades já podem desfrutar da velocidade da nova tecnologia, que pode ser até 100 vezes mais rápida que a 4G. A China e o Japão também devem estrear seus sistemas 5G em breve. Quando o Brasil vai entrar na era da ultravelocidade da internet móvel?

O 5G não é apenas uma rede celular mais rápida para você poder ver filmes em HD no seu celular, onde quer que esteja. A tecnologia tem uma largura de banda maior e menor latência. Ou seja, a informação é transmitida de um aparelho ao outro quase imediatamente. Mas o 5G também traz uma série de vantagens que farão deslanchar tecnologias que até hoje estão represadas por falta de uma rede estável, barata e com grande cobertura. A Internet das Coisas, ou IoT, do inglês Internet of Things, é a principal delas.

A Internet da Coisas pode dar inteligência e conectividade a praticamente qualquer coisa, de uma máquina industrial a um crachá de um funcionário.

A IoT representa uma revolução na logística e na integração entre indústria e comércio. Ela vai proporcionar gigantescos ganhos de produtividade. Teremos sensores, ligados a máquinas, prateleiras e até mesmo monitorando plantações. Na outra ponta, estará um software poderoso, utilizando aquelas tecnologias como inteligência artificial, machine learning, que vão tomar decisões como aumentar a produção de uma fábrica ou alertar que uma máquina precisa de manutenção. No centro disso vai estar o 5G.


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Mas isso vai possibilitar muito mais que fábricas mais lucrativas. Cidades terão sua iluminação, trânsito, níveis de poluição, sistema de água e esgoto conectados em uma rede inteligente. Com isso, sensores de vibração vão possibilitar a análise preditiva de pontes e edifícios com desgaste de materiais ou bombeiros poderão ser acionados no momento que um sensor detectar fogo em um prédio. A comunicação entre carros vai melhorar também a eficiência dos carros autônomos que finalmente poderão ganhar as ruas. Aplicações de missão crítica, como cirurgias a distância ou uso de robôs em ações onde há risco de vida, poderão ser realizadas graças à maior confiabilidade da rede 5G.

E isso não é tudo. Nós estaremos conectados pelo 5G. Tecnologias que ainda estão no início, como realidade aumentada e aparelhos vestíveis vão mudar radicalmente. Seu smartwatch vai monitorar seu batimento cardíaco, sua pressão e até o nível de oxigênio no sangue e compartilhar com seu médico ou plano de saúde, em caso de emergência. Realidade aumentada e realidade virtual vão mudar os eventos físicos com experiências imersivas.

Mas tudo isso ainda está em andamento. O 5G não vai ser implementado de uma hora para outra no Brasil. Além das questões legais, como o leilão que está previsto para acontecer no primeiro semestre de 2021, há questões técnicas. Uma parte da tecnologia 5G usa a rede atual, para 3G e 4G, mas para usar todo seu potencial, será necessário investir em mais antenas específicas para o 5G e outros equipamentos.

A participação da Huawei na implantação de redes de 5G pelo mundo tem sido alvo de críticas e restrições encampadas, principalmente, pelo governo norte-americano, e replicadas no Brasil.


Assista à reportagem de O Planeta Azul

Na gestão de Donald Trump, os Estados Unidos haviam proibido a principal desenvolvedora da tecnologia 5G, Huawei, de atuar no país. O novo presidente, Joe Biden, ainda não retomou as negociações com a China sobre o assunto. Além dos Estados Unidos, também decidiram banir a tecnologia chinesa Reino Unido, Austrália e Suécia, entre outras nações. Entre os países abertos para o uso do 5G da Huawei está a Alemanha, que é a maior economia da Europa. Em dezembro, o gabinete da chanceler Angela Merkel aprovou uma nova lei de segurança de redes, que abre o caminho para permitir o uso da tecnologia da empresa chinesa no país.

Já no Brasil, o governo criou uma portaria que exigirá a implantação de uma rede privativa de comunicação para a administração federal com requisitos de segurança a serem cumpridos pelas empresas vencedoras do leilão de 5G.

O texto foi a solução encontrada pelo governo para apaziguar as restrições do presidente Jair Bolsonaro à atuação da fornecedora de equipamentos chinesa Huawei e, ao mesmo tempo, não impedir a empresa de atuar no Brasil, o que traria prejuízo às operadoras de telecomunicação.

Bolsonaro, alinhado com o governo do então presidente norte-americano Donald Trump, tinha a intenção de banir a Huawei de atuar no mercado brasileiro de 5G. Os planos do presidente, no entanto, esbarram no fato de a chinesa já fornecer a maior parte dos equipamentos das redes 4G e 3G do Brasil e ter os menores preços. De acordo com as operadoras, a proibição da atuação da Huawei obrigaria as empresas a trocar grande parte dos equipamentos usados no Brasil para a implantação da rede 5G. O custo para modificar toda a rede ficaria entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões.