balanço

Com mais 1.232 mortes, Brasil está a um dia de 230 mil vítimas da covid-19

Há 15 dias, o Brasil está com média de mortes por covid acima de mil. País registrou também 56.873 novos casos de covid no nas últimas 24 horas

amazônia real/bruno kelly
De acordo com levantamento da ArmerQuartely, publicação do Conselho das Américas, (Ascoa) Manaus registrou um excesso de mortes de 3.500 óbitos por milhão de habitantes durante a pandemia

São Paulo – O Brasil registrou hoje (4) mais um período de 24 horas ultrapassando a casa de 1.200 mortes por covid-19. Foram oficialmente notificados mais 1.232 vítimas do novo coronavírus no período. Com o avanço, o país fica praticamente a um dia de chegar aos 230 mil mortos pela pandemia. São 228.795 mortos desde o início do surto, em março. Os dados são oficiais, fornecidos pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Há 15 dias, o país está com média diária de mortes acima de mil.

O conselho país registrou também 56.873 novos casos de covid no Brasil nas últimas 24 horas. Agora, 9.396.293 brasileiros, ao menos, já foram infectados pelo vírus. O Brasil é o segundo país com mais mortos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (455 mil vítimas). A média de infectados, de 48.229 novos casos por dia, segue acima do registrado em boa parte do pior período da pandemia até então, entre junho e setembro: .

Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

Mortes em excesso

Uma das situações mais graves do país é registrada em Manaus. O sistema de saúde da capital amazonense viveu semanas de colapso durante a primeira onda da covid-19 e, agora, passa por um período ainda mais severo. Faltam leitos, insumos, oxigênio hospitalar, e até mesmo covas para sepultar os mortos. O fracasso da gestão da epidemia na região foi precedido de uma série de alertas da imprensa e de cientistas, que foram ignorados pelo poder público.

De acordo com levantamento da ArmerQuartely, publicação do Conselho das Américas, (Ascoa) Manaus registrou um “excesso de mortes” de 3.500 óbitos por milhão de habitantes durante a pandemia, em comparação com anos anteriores. O cientista e divulgador científico Atila Iamarino explica: “Se o Brasil todo registrasse 3.500 mortes em excesso por milhão de habitantes, como Manaus registrou, seriam 700 mil mortes até aqui. Isso sem corrigir para a população mais velha em outras partes do país”.

Destruição

Os números elevados ainda revelam uma subnotificação alarmante no país. Em 2020, foram registradas oficialmente pouco menos de 195 mil mortes por covid-19. Entretanto, de acordo com dados cruzados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e do Ministério da Saúde, sobre mortalidade por síndromes respiratórias sem causa confirmada, as vítimas de covid-19 poderiam ser, ainda em dezembro, mais de 250 mil a partir de estimativas conservadoras.

Diante deste cenário de destruição, o governo federal pouco ou nada fez para mitigar os efeitos da pandemia. Ao contrário, o presidente Jair Bolsonaro sempre minimizou os perigos da covid-19, faz piada com as vítimas e nega a ciência, inclusive questionando a eficiência de vacinas.

Em Manaus não foi diferente. A cidade carecia de medidas eficazes de isolamento social, testagem em massa e rastreio de contágios, como indica a Organização Mundial da Saúde. ” E o que oferecemos a eles foi tratamento precoce”, lamenta Atila. Ele se refere à insistência de Bolsonaro e seu governo o em recomendar medicamentos ineficazes contra a covid-19, como a cloroquina e ivermectina.


Leia também


Últimas notícias