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Brasil tem mais 1.288 mortos por covid-19 em 24 horas. Governadores enfrentam desafios por mais vacinas

Chegada do carnaval e possíveis aglomerações pode acelerar ainda mais a propagação da covid pelo Brasil. Flávio Dino, João Doria e Rui Costa apontam Bolsonaro como ‘obstáculo’

SecomAM/Divulgação
"Temos a convicção de que vacinação é prioridade absoluta sob qualquer olhar. O mais importante é a vida humana, mas também sob a perspectiva econômica, vacinação é o tema mais importante", disse Flávio Dino

São Paulo – O Brasil chega ao fim de semana com número elevado de mortos por covid-19. No período de 24 horas entre as 16h de ontem (11) e 16h de hoje, foram 1.288 novas vítimas. Desde o início do surto no país, em março, são 237.489 de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Já o número de novos casos teve acréscimo de 51.546 infectados no mesmo período. Até o momento, já foram 9.765.455 contaminados pelo novo coronavírus. Os números não levam em conta a ampla subnotificação, já que o Brasil é um país com baixa capacidade de testagem e poucas iniciativas de combate ao coronavírus; especialmente em âmbito federal.

Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

Desde o fim do ano, aglomerações e o descaso com medidas protetivas, como uso de máscaras, provocou uma rápida aceleração da pandemia no país. Esta “segunda onda” já apresenta índice de letalidade e contágio similar aos piores momentos da pandemia até então, registrados entre junho e setembro. Mesmo com o feriado de carnaval suspenso pelas repartições públicas e de parte das empresas privadas, a previsão é de mais aglomerações nos próximos dias, o que preocupa especialistas.

Enquanto isso, o Brasil patina na execução de um plano nacional de vacinação. Até o momento, pouco mais de 2% da população foi vacinada, ou 4,4 milhões de pessoas. Estados enfrentam ainda desafios políticos na proteção da vida, diante de um governo federal descompromissado com a defesa da vida.

Obstáculos

Enquanto o governo de Jair Bolsonaro segue desde o início da pandemia com uma postura contra a ciência, outras lideranças do poder público tentam se articular por mais vacinas. Hoje, os governadores Rui Costa (PT-BA), Flávio Dino (PCdoB-MA) e João Doria (PSDB-SP), em encontro promovido pelo portal Brasil247, falaram sobre os desafios para dinamizar a vacinação em seus estados.

Flávio Dino (PCdoB-MA), João Doria (PSDB-SP), Rui Costa (PT-BA), Gisele Fredericce e Leonardo Attuch, na TV 247

Soberania

Dino foi o primeiro a falar. O governador do Maranhão destacou a “situação singular. Os estados estão pedindo para gastar dinheiro e o governo federal não viabiliza. Temos a convicção de que vacinação é prioridade absoluta sob qualquer olhar. O mais importante é a vida humana, mas também sob a perspectiva econômica, vacinação é o tema mais importante”.

Para o comunista, o governo federal erra em apostar em poucas das vacinas que estão sendo desenvolvidas no mundo. Também erra em não desenvolver mais pesquisa e ciência nacional, por questões de soberania. “Podemos avançar com a vacina russa e também outras. Um país tão grande precisa de multiplicidade de ofertas. Na verdade, o ideal seria soberania tecnológica para produzirmos nossas vacinas. Veja a China, com alta capacidade de produção. Índia, Rússia e Estados Unidos. Dos grandes países populacionais do mundo, o Brasil é talvez o único sem soberania vacinal. Como temos esse erro de base, precisamos de muitas vacinas”, disse.

Perspectivas

O petista Rui Costa lidera uma ação na Justiça pela liberação do imunizante Sputnik. Ele acusa a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de morosidade e complacência com o negacionismo bolsonarista. “Estamos na expectativa da Anvisa se posicionar. Vários países estão aplicando a Sputnik em vária escala, como Argentina e México aqui na América Latina. É uma vacina largamente utilizada. Mas, infelizmente, a Anvisa a passos de tartaruga e com má vontade, vai empurrando (o processo de aprovação) sem nenhuma sensibilidade com a vida humana. Estamos muito angustiados. A covid-19 está crescendo e na Bahia agora, infelizmente, a doença volta a acelerar”, disse o governador da Bahia.

Rui Costa disse ainda que, assim que aprovada a utilização da Sputnik, já será possível ampliar de forma significativa a imunização dos brasileiros. “Temos a possibilidade de 10 milhões de vacinas chegarem no Brasil no curtíssimo prazo. Poderíamos partir para a vacinação das pessoas acima de 70 anos em larga escala e reduzir as mortes (…) Estamos na expectativa de comprar e vacinar as pessoas. Ao longo do ano já temos confirmada a possibilidade de 70 milhões de doses, abrindo a possibilidade de chegar a 150 com uma produção aqui no país. Se o presidente não comprar, os estados e os consórcios podem comprar. Todos os governadores, diferente da Presidência, estão sensibilizados com o número de mortes”, completou.

Sucessão de erros

Por sua vez, o governador de São Paulo, antigo aliado de Bolsonaro e agora desafeto, apoiou a posição dos colegas do Nordeste sobre a necessidade de ampliar a imunização rapidamente. “Apoio integralmente a posição dos governadores. Precisamos de mais vacinas. A Sputnik foi demonstrada como vacina segura. Não há razão para não termos mais vacinas desde o início. Fizemos o que era nossa competência apesar de todos os enfrentamentos. Para termos a vacina do Butantan, foi um drama, um enfrentamento de seis meses”, disse.

Doria apontou que Bolsonaro atuou contra as vacinas e desdenhou da necessidade dos fármacos. “O governo errou. É uma sucessão de erros. Fez opção por uma vacina, da AstraZeneca. Argentina, Chile, Peru, México, fizeram opção por quatro ou cinco vacinas. Lembrem, no dia 20 de outubro, o Ministério da Saúde anunciou a compra da CoronaVac. No dia seguinte, Bolsonaro desautorizou seu ministro, humilhou seu ministro. Disse que não compraria vacina chinesa, ‘vacina do Doria’, que não permitiria que o povo tomasse essa vacina.”

Confira a íntegra do encontro dos governadores na TV 247:


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