PANDEMIA

Brasil tem 528 mortos de covid-19 e 23 mil casos nas últimas 24 horas; cidades suspendem vacinação

Desde o início da pandemia, em março, são 239.773 mortos de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde

Pedro Guerreiro / Ag. Pará
A covid-19 está fora de controle desde o fim do ano passado e situação ainda deve se agravar

São Paulo – O Brasil começou a semana mantendo um número elevado de mortos decorrentes da covid-19. Nas últimas 24 horas, o país registrou 528 novas vítimas do coronavírus. Desde o início da pandemia, em março, são 239.773 óbitos de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Já o número de novos casos foi de 23.856 infectados no último dia. Até o momento, são 9.858.369 contaminadas pelo novo coronavírus. Os números, entretanto, não levam em conta a ampla subnotificação, pois o Brasil segue com baixa capacidade de testagem.

Números da covid-19 no Brasil

Ontem (14), o Brasil alcançou a maior média móvel de mortes nos últimos sete dias: 1.105 – a maior já registrada desde o início da pandemia. O recorde anterior era de 25 de julho de 2020 (1.097). Já são 25 dias com média acima da marca de mil mortes. Hoje, a média móvel ficou em 1.086.

Desde o fim do ano, aglomerações e o descaso com medidas protetivas como distanciamento social e uso de máscaras provocaram uma rápida aceleração da pandemia no país. Algumas regiões do país, por outro lado, já enfrentam uma “terceira onda”, com números similares ou piores aos do pico da pandemia, no segundo semestre do ano passado.

Neste último final de semana, diversas capitais e zonas litorâneas do Brasil registraram novas aglomerações, com praias, bares e festas lotadas, em “comemoração” ao carnaval, mesmo com o feriado suspenso em diversos locais. Com isso, a tendência é que, nas próximas semanas, os números de infectados e mortos elevem.

Sem vacina

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro segue com sua postura de cruzar os braços diante da pandemia, cidades do país já sofrem com a falta de doses da vacina. Nesta segunda-feira (15), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), anunciou que a cidade terá que interromper a campanha de vacinação.

“Recebi a notícia de que não chegaram novas doses. Teremos que interromper amanhã a nossa campanha. Hoje vacinamos pessoas de 84 anos e amanhã, de 83. Estamos prontos e já vacinamos 244.852. Só precisamos que a vacina chegue. Nova leva deve chegar do Butantan na próxima semana”, afirmou o prefeito, em suas redes sociais.

A vacinação também foi interrompida em Ananindeua, na região metropolitana de Belém, no último domingo (14). A informação foi publicada nas redes sociais da prefeitura do município.

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha classificou a ausência de doses como um “absurdo”. “Os estados estão suspendendo a vacinação contra a Covid-19 por falta de vacinas. Brasil não tem insumos e, ao invés de salvar a população, Bolsonaro facilita o acesso às armas. GE-NO-CI-DA!”, tuitou.

No sábado (13), o Brasil ultrapassou a marca de 5 milhões de pessoas vacinadas contra a covid-19, segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa, baseado nos dados do Conass. Ao todo, 5.034.147 brasileiros — ou 2,38% da população — já receberam a primeira dose do imunizante.

Covid-19 nas escolas

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), junto aos profissionais da educação, aponta que 329 casos de covid-19 foram confirmados entre professores e outros trabalhadores da educação estadual, em 186 escolas públicas de São Paulo, desde a volta às aulas presencial, em 1º de fevereiro.

Em 8 de fevereiro haviam sido detectados 209 casos em 96 unidades. Ao menos sete funcionários morreram em decorrência da doença em escolas de São Paulo, São José do Rio Preto, Leme, Praia Grande e Guapiara.