Pandemia

Ocupação de UTI cresce em SP. Marília, Bauru, Ribeirão Preto e Taubaté vão regredir na quarentena

Doria anunciou uma reclassificação do Plano São Paulo na próxima sexta-feira, mas dados de ocupação de UTI já indicam quais serão as regiões afetadas

Marcello Casal Jr./ABr
Diferente do Doria diz, a pandemia em São Paulo não está controlada e o número de pessoas internadas, novos casos e mortes só cresce

São Paulo – A ocupação de unidades de terapia intensiva (UTI) para atendimento de pacientes com covid-19 não para de aumentar no estado de São Paulo. Desde a última atualização do Plano São Paulo, que coordena a flexibilização da quarentena, no dia 8 de janeiro, 15 das 17 regiões do estado tiveram aumento da ocupação de UTI. Em razão dessa piora, o governador paulista, João Doria (PSDB), anunciou hoje (13) que vai fazer uma reclassificação extraordinária das regiões na próxima sexta-feira (15) , apenas uma semana após a reclassificação. A reavaliação estava prevista apenas para 5 de fevereiro.

A pior situação é nas regiões de Marília – que hoje está na fase laranja –, Bauru, Ribeirão Preto e Taubaté – que estão na fase amarela. Marília chegou hoje a 81,2% de ocupação de UTI o que a coloca na fase vermelha. As demais, com ocupação acima de 70%, devem ser colocadas na fase laranja. Bauru foi de 66% para 71,3% de ocupação de UTI; Ribeirão Preto foi de 57,2% para 70,3%; e Taubaté foi de 65,1% para 71,5%.

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Outras regiões estão com quadros graves e podem ser colocadas em quarentenas mais restritas em breve. Campinas foi de 63,7% de ocupação de UTI para 69% em cinco dias. Franca passou de 49,9% para 65,8%. E São José do Rio Preto subiu de 60,7% para 67,4% no mesmo período. Em todo o estado, a ocupação de UTI aumentou de 63,3%, no dia 8, para 66,3% hoje.

Evolução da ocupação de UTI mostra a piora em 15 das 17 regiões de saúde

Apesar disso, deve haver pouca mudança no cotidiano da população, já que agora o governo Doria autoriza o funcionamento de todos os setores econômicos, mesmo na fase laranja do Plano São Paulo. Somente o atendimento presencial em bares é proibido. Antes, salões de beleza e academias, por exemplo, também não podiam abrir. Os estabelecimentos podem ocupar até 40% das vagas – antes era 20% – e funcionar por 8 horas diárias – antes eram 4 horas diárias. Os locais devem fechar às 20h. Na fase vermelha somente os serviços essenciais podem funcionar.

Agravamento da pandemia

Os dados do Boletim Coronavírus mostram que, em todo o estado, houve aumento de 62% no número de novos casos, 40,2% nas mortes e 24% nas novas internações, apenas na última semana. Só ontem, 1.586 pessoas foram internadas com covid-19 e a média de internações por dia já passa de 1.700. É o pior número desde 18 de agosto do ano passado. A média diária de novos casos está em 10.756, muito próxima da média de 11 mil casos por dia no pico da pandemia. E a média diária de mortes é de 213, pior situação desde 15 de setembro.

Em razão do período de Natal e Ano Novo, em que muitos profissionais de saúde tiveram folga, os dados de novos casos e mortes ainda apresentam inconsistências de registros, o que dificulta a comparação dos dados atuais com as semanas anteriores. No entanto, considerando apenas os 12 primeiros dias de janeiro, São Paulo registrou 99.578 novos casos de covid-19 e 1.949 mortes. No mesmo período de dezembro foram 73.885 novos casos e 1.491 mortes.

Escondendo dados

O governo Doria iniciou 2021 mudando completamente a forma de analisar os dados da pandemia de covid-19 em São Paulo. Até dezembro, eram comparados os novos casos de uma semana, com os novos casos da semana anterior. O mesmo para as novas mortes e as internações. Com isso se avaliava se pandemia estava piorando, estabilizada ou sendo controlada. Agora é avaliada a média de novos casos, novas internações e novas mortes por 100 mil nos últimos 14 dias.

Além disso, a página de dados abertos do governo Doria teve alterações que dificultam a análise dos dados, prejudicando a transparência das informações. No caso das internações por região de saúde, havia dados de média de internações, número total de internados, taxa de ocupação de UTI, por dia, desde o início da pandemia. Agora são apresentados somente o número de leitos ocupados por unidade hospitalar em cada região, sem possibilidade de comparação com o histórico anterior.