Mutação

Nova variante do coronavírus é encontrada no Amazonas

Cientistas não têm certeza, mas acreditam que nova linhagem pode significar maior poder de transmissão

Roberto Parizotti/Fotos Públicas
Segundo a Fiocruz, a variação do vírus é inédita, sendo uma provável nova linhagem brasileira

São Paulo – Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) encontram uma nova variante do novo coronavírus no estado do Amazonas. A mutação foi identificada durante pesquisas ainda em andamento com pacientes japoneses. Segundo a Folha de S.Paulo, a variação do vírus é inédita, sendo uma provável nova linhagem brasileira.

Apesar da necessidade de estudos conclusivos, a nova mutação pode significar um maior poder de transmissão, visto que duas importantes mutações foram descritas simultaneamente na proteína Spike – que faz a ligação do vírus às células humanas e está relacionada à capacidade de transmissão da covid-19.

Nesta segunda-feira (11), o governo do Japão informou ao Ministério da Saúde do Brasil que foi identificada essa nova cepa do coronavírus em pacientes que estiveram no Amazonas. O grupo chegou a Tóquio no dia 2 de janeiro, quando foi isolado. Entre os contaminados estão uma menina de 10 anos, um jovem de 19 anos, uma mulher de 30 anos e um homem de 40 anos.

Novas mutações do coronavírus

Um caso de reinfecção pelo novo coronavírus no Brasil ocorreu pela nova cepa identificada na África do Sul, conforme divulgado na última sexta-feira (8). É o primeiro episódio dessa natureza observado no mundo. A paciente tem 45 anos e havia sido contaminada pela primeira vez em maio. No mês de outubro, ela voltou a ficar doente, com sintomas mais graves.

Em dezembro, uma outra variante do coronavírus foi responsável pelo aumento exponencial dos casos de infecção no Reino Unido. Segundo artigo publicado na revista Virology, a variante do coronavírus nomeada como linhagem B.1.1.7 possui 17 mutações no código genético do vírus. Alguns deles estariam relacionados à velocidade de transmissão.

Pelo menos 18 países já detectaram a nova linhagem do vírus, que foi identificada no Brasil em 31 de dezembro pelo laboratório Dasa. “Os vírus, de modo geral, têm essa capacidade de mutação, uma capacidade adaptativa. Às vezes essas mutações não são boas para ele e acabam levando à sua extinção. Já existiram várias outras mutações ao longo da pandemia que o vírus foi fazendo, mas essa [registrada na Inglaterra] foi uma mutação adaptativa benéfica a ele”, disse ao Brasil de Fato a infectologista Regina Valim.