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Casos de covid em São Paulo têm recorde por falta de ação de Doria

Número recorde de novos casos de covid-19 em São Paulo é resultado da falta de coragem do governador em impor lockdown durante as festas de final de ano

Reprodução
Situação em São Paulo se agrava e governo Doria diz temer colapso na saúde devido à pandemia de covid-19

São Paulo – A conta da falta de ação do governador paulista, João Doria (PSDB), em meio à segunda onda da pandemia de covid-19 no estado chegou. Na última semana, o estado bateu recorde de novos casos de covid-19 em São Paulo. Apesar de alertas emitidos por autoridades e especialistas em epidemiologia, faltou coragem ao governador em decretar um lockdown no mês de dezembro. Na ocisão, já se apresentava o ambiente de festas, confraternizações, descuido total com o isolamento em bares, restaurantes e áreas comerciais. E claramente já se apontava para um agravamento da situação com a chegada das festas e férias de final de ano.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, na semana de 10 a 16 de janeiro foram registrados 11.300 novos casos de covid-19 por dia, em média, no estado. Na semana anterior, foram 10.366 casos por dia. É a pior situação desde o início da pandemia, no final de fevereiro do ano passado.

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No caso das mortes causadas pela covid-19 em São Paulo, houve aumento de 7% na última semana, em relação à semana anterior. Porém, na comparação entre a última semana do ano passado e a segunda deste ano, o aumento foi de 59%. A média de mortes diárias no estado chegou a 227,7.

Além disso, houve aumento de 12% nas internações por covid-19 em São Paulo. Hoje (18), há 13.815 pessoas internadas, sendo 7.811 em enfermaria e 6.004 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A média de internações diárias é de 1.747, muito próxima da máxima ocorrida em junho do ano passado (1.972).

Ocupação em UTI

O secretário admitiu, inclusive, que mesmo em regiões que não estão na fase vermelha da quarentena, há cidades que já atingiram 100% de ocupação de UTI. Em todo o estado, a ocupação de UTI é de 69,1%. Gorinchteyn não descarta reabrir hospitais de campanha, mas teme que não haja como contratar profissionais suficientes para cobrir o atendimento. E que isso leve ao colapso do sistema de saúde.

No entanto, como a RBA mostra desde novembro, a situação já vinha dando sinais de piora desde o final de outubro. Naquele momento, de eleições municipais, Doria disse que a situação estava sob controle. E adiou as reclassificação do Plano São Paulo, deixando o estado 55 dias sem atualização da quarentena.

Um dia após as eleições colocou todo o estado na fase amarela, ação considerada insuficiente por especialistas em saúde. Além disso, facilitou a abertura de comércios, estendendo o horário de funcionamento. Apesar da continua piora no quadro, com escalada de aumento das internações e crescimento das mortes, Doria não ampliou o rigor da quarentena. Só em janeiro algumas regiões foram colocadas na fase laranja.

Covid-19 na Grande São Paulo

Pelos dados de hoje, a Grande São Paulo já está com índices compatíveis com a fase laranja da quarentena. A região metropolitana – que inclui a capital paulista – está com 70,1% de ocupação de UTI, com média diária de 903 novas internações. Desde o dia 10 de janeiro, a média de novos casos por dia está acima de 4 mil. E a média de mortes chegou a 115 por dia.

A região de Campinas tem com 70,1% de ocupação de UTI e média de 133 internações por dia. São, em média, 20 novas mortes por dia e mais de 1.300 novos casos.

Com mais de 700 casos por dia, em média, a região de Sorocaba tem 76,1% de ocupação de UTI. A média de novos casos e de internações na região já é maior que no pico anterior da pandemia.

Já a região de Marília, que passou para a fase vermelha da quarentena na última sexta-feira (15), chegou a 87% de ocupação de UTI, com média diária de 46 novas internações, E de 379 novos casos por dia, muito acima do pico anterior da pandemia.

Em Taubaté, que passou para a fase laranja na última sexta, o número de internações explodiu. São 133 por dia, com ocupação de UTI de 76,5%. São 1.143 novos casos de covid-19, em média, por dia.

A região de Bauru, também na fase laranja da quarentena, está com 77,9% de ocupação de UTI e registra médias de novos casos, mortes e internações muito maiores que no pico anterior da pandemia.

As regiões de Franca e Presidente Prudente podem ir para a fase vermelha da quarentena em breve. A primeira chegou a 79,8% de ocupação de UTI e a segunda a 79,6%. A situação já é tão grave quanto no pico da pandemia no ano passado.


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