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Com aceleração da pandemia, enfermeiro teme ‘tempestade’ em janeiro

Com aumento do contágio, em função das aglomerações nas festas de fim de ano, há riscos de faltar leitos de hospitais para atender os doentes, segundo o vice-presidente do SindSaúde-SP, Helcio Marcelino

Bruno Cecim/Ag.Pará
Profissionais da saúde estão física e psicologicamente esgotados, mas seguirão na batalha pela vida

São Paulo – Após nove meses e meio na linha de frente do combate à pandemia do novo coronavírus, os trabalhadores da saúde estão “extremamente desgastados e estressados”. Com a flexibilização das regras de isolamento no final do ano, foram registradas festas e aglomerações por todo o país. As consequências já são sentidas em diversas cidades, que enfrentam a aceleração da pandemia e a falta de leitos nas UTIs. E o quadro, entretanto, ainda deve se agravar.

Há ainda os desacertos e a lentidão do governo federal em dar início ao plano de imunização. Sem vacina aprovada pelas autoridades reguladoras, faltam até agulhas e seringas. Além disso, começou a circular no Brasil a nova cepa do vírus, com maior capacidade de transmissão.

“É a preparação da tempestade perfeita”, afirmou o enfermeiro Helcio Marcelino, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaúde-SP) sobre a aceleração da pandemia. Em entrevista ao Jornal Brasil Atual nesta quarta-feira (6), ele afirma que “dá medo” de pensar no que deve ocorrer no país até o final de deste mês.

“Temos probabilidade grande de acabar vendo cenas como as que aconteceram na Nicarágua e no Equador, no começo da pandemia. Pessoas morrendo em casa, porque não vai haver leitos nas UPAs e UBS, de tanta gente que vai estar contaminada”, afirmou Marcelino.

Hipocrisia e desinformação

O vice-presidente do SindSaúde classificou como “hipocrisia” o “abre e fecha” definido pelo governador de São Paulo, João Doria. Em função do aumento do número de casos, internações e mortes, o estado regrediu para a fase 1-vermelha, a mais restritiva, entre os dias 25 e 27 de dezembro e entre os dias 1º e 3 de janeiro. No entanto, desde segunda (4), as medidas foram flexibilizadas. “Se fecha num dia e abre no outro, as pessoas entendem que é hipocrisia”, criticou.

Ele também criticou o presidente Jair Bolsonaro e o seu entorno por seguirem sugerindo suposto “tratamento precoce” contra a covid-19, com a indicação de medicamentos – hidroxicloroquina e ivermectina – sem eficácia comprovada contra a doença. Por outro lado, Marcelino também afirmou que o atraso na vacinação faz parte da “política de morte” do Bolsonaro. Sem previsão para começar a vacinar a população, clínicas privadas negociam a compra da vacina. “Para mim, é de propósito. Para garantir que o setor privado ganhe dinheiro com o desespero das pessoas”, afirmou.

Assista à entrevista

Redação: Tiago Pereira – Edição: Helder Lima