covid-19 avança

Com a covid-19 em alta, Doria mantém medidas brandas de isolamento em São Paulo

O governo manteve 90% da população em fase amarela, com poucas medidas de distanciamento. Fase laranja também ficou mais branda. Foco será controle de aglomerações em bares e baladas

Governo de São Paulo
Para secretários, bares, festas e baladas contribuem de forma intensa para a propagação da covid-19

São Paulo – O governo do estado de São Paulo divulgou mudanças no Plano São Paulo, que trata de ações de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, como a extensão das medidas de isolamento social. A maior parte do estado (onde vive 90% da população) segue na chamada “fase amarela”, que conta com medidas sanitárias brandas. Já o restante progrediu para a fase laranja, ligeiramente mais rígida em relação a atividades que podem ou não funcionar e a restrições de horários. A decisão do governo de João Doria (PSDB) chega em um momento de aumento no número de casos e mortes pela covid-19 em todo o país. E contraria opiniões de especialistas, que defendiam medidas mais rígidas de isolamento imediatamente.

Na primeira semana de 2021, São Paulo observou aumento de 30% no número de novos casos e 34% nas mortes. As aglomerações de fim de ano contribuíram para a piora. “A pandemia recrudesceu”, disse o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn. Mas mesmo com a transmissão fora de controle e, de acordo com o próprio secretário, “com o vírus circulando de forma intensificada”, o isolamento social segue leve. O governo promoveu alterações nas fases do Plano São Paulo. Por um lado, ficou mais fácil progredir da fase amarela para a fase laranja. Porém, por outro, a fase laranja ficou mais branda.

Mapa de São Paulo com as regiões em fase amarela ou laranja

Fase amarela ou laranja

Das 17 macrorregiões do estado, 13 estão na fase amarela, outras quatro na fase laranja. São elas: Presidente Prudente, Marília, Sorocaba e Registro. De acordo com os novos parâmetros apresentados hoje (8), a única diferença entre as fases está no número de pessoas permitidas dentro de estabelecimentos e no horário de funcionamento.

Anteriormente, a fase laranja previa o fechamento de alguns estabelecimentos, como academias e bares. Agora, todas as atividades seguem abertas, com restrições. A capacidade de lotação, que antes era de 20%, foi para 40%. Anteriormente, os estabelecimentos não essenciais poderiam funcionar quatro horas por dia; com a nova regra, são oito horas; mas todos devem fechar às 20h. Bares e restaurantes não podem ter consumo no local presencial.

Já a fase amarela também mantém todas as atividades em funcionamento, com capacidade de 40%, funcionamento de 10 horas por dia e restrição de atendimento até as 22h. Bares podem abrir até as 20h com atendimento presencial.

Alterações nas fases amarela e laranja no Plano São Paulo

Maiores problemas

O secretário-executivo do Centro de Contingência do combate do coronavírus de São Paulo, João Gabbardo, argumentou que a intenção é não punir estabelecimentos que seguem normas sanitárias adequadas. Em contrapartida, reduzir a atividade dos estabelecimentos mais problemáticos.

“Notamos que o aumento da transmissão da covid-19 acontece especialmente no lazer noturno, nos bares, baladas, festas. Pedimos e orientamos para que durante o dia as pessoas exerçam suas atividades com todos os cuidados. Quem puder não sair, não saia. Mas depois de determinado horário, 22h na amarela e 20h na laranja, as pessoas procurem não participar de nenhum tipo de evento”, disse Gabbardo.

Ele acrescentou citando bares, restaurantes e festas. “Todas as evidências apontam para que estes são locais em que a doença se propaga com maior intensidade. Deixamos de penalizar atividades que funcionam de forma controlada para nos focar nas atividades mais propícias.”

Outro lado

Se a maioria das restrições ficou mais branda, também ficou mais fácil de regredir da fase amarela para a laranja. Para o endurecimento das medidas de isolamento, antes, era necessária uma ocupação de leitos de UTI na casa de 75%. Este índice cai para 70%. Outro fator considerado para a mudança entre as fases é o de internações e óbitos por habitantes. Antes, era observada a relação de 40 internações e 5 mortes por 100 mil habitantes; passa a ser 30 internações e 3 mortes.

São Paulo tem 48.029 mortes e 1.528.952 casos registrados de covid-19. A média de mortes diária está em 257. O Plano São Paulo apresentado hoje possui revisão marcada para 5 de fevereiro. Entretanto, caso os indicadores piorem, o Comitê de Contenção do Coronavírus em São Paulo pode indicar endurecimentos urgentes e pontuais antes do prazo determinado.

“A fase em que a população está é a dos indicadores. Estamos em um momento importante da pandemia. Mesmo estando na fase amarela, se não tivermos a colaboração de todos, na próxima reclassificação teremos mais regiões na fase laranja. Apesar de termos uma data para a reclassificação, vamos monitorar e publicar indicadores diariamente. Podemos reclassificar a qualquer momento. Precisamos de conscientização. Poucos que descumprem impactam em todos”, disse a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen.