Fase crítica

Brasil tem 466 mortes por covid-19 na primeira segunda-feira de 2021

Enquanto São Paulo confirma mutação mais contagiosa da covid-19, aglomerações foram frequentes. Na Europa, países endurecem medidas de isolamento

Fernando Frazão/ABR
Praias lotadas e festas foram comuns no fim de ano em todo o país. Na foto, a praia do Leme, no Rio de Janeiro

São Paulo – Nesta primeira segunda-feira (4) de 2021, o Brasil registrou 466 mortes por covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Os números às segundas tendem a ser inferiores à realidade, já que existe contingente reduzido de profissionais de Saúde em atividade no fim de semana. Especialmente em um feriado prolongado de fim de ano.

Já o número de novos casos de covid-19 foi de 18.102, de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Desde o início da pandemia, foram 196.484 mortos e 7.751.721 infectados. A realidade é mais trágica ainda, já que existe ampla subnotificação. O Brasil é um país que realiza poucos testes e não ampliou significativamente sua capacidade desde os primeiros meses pandêmicos. Ao contrário, nos últimos períodos, houve uma redução de exames, de acordo com a Pnad-Covid.

Números da pandemia de covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

Com média móvel de mortes acima de 700, o Brasil apresenta uma tendência de crescimento nos casos. O cenário é particularmente preocupante, já que as aglomerações durante as festas de fim de ano foram intensas. Especialistas temem uma explosão de casos nas próximas semanas. Praias lotadas e inúmeros shows foram relatados por todo o país na última semana.

Vergonha

As imagens de grandes aglomerações no Brasil foram criticadas pelo ex-primeiro-ministro da Itália e comissário de Economia da União Europeia, Paolo Gentiloni. “Tenho visto imagens vergonhosas do Brasil. Média da última semana: 36 mil casos e 700 vítimas por dia pela pandemia”, disse.

Ele ressaltou a importância do distanciamento social para o recrudescimento da ocorrência de contaminações e mortes covid-19. A Europa vive forte esquema de isolamento. Hoje, Inglaterra e Escócia anunciaram lockdown em todo o país para frear o crescimento de casos e mortes. Em especial, para frear uma mutação do vírus, chamada B.1.1.7. Estudos indicam que a nova variedade viral pode ser até 70% mais contagiosa.

B.1.1.7

Também hoje, a secretaria de Saúde de São Paulo confirmou que a variedade mais contagiosa do vírus foi detectada na capital paulista. O secretário da pasta, Jean Gorinchteyn, disse que a cepa foi localizada em dois pacientes, mas que ainda não há confirmação se o vírus já circula de forma a levar ao contágio comunitário.

São Paulo segue como o estado mais afetado pela pandemia. A partir de hoje, o estado regressou à fase amarela em quase todo seu território (exceto no extremo oeste, na região de Presidente Prudente). Após extensão da quarentena até o dia 7 de fevereiro, decretada pelo governador João Doria (PSDB), esperavam-se revisões no nível de isolamento nas próximas semanas.

O governador havia marcado para hoje uma revisão do Plano São Paulo, que pode alterar os níveis de isolamento social. Entretanto, a declaração foi adiada para a quinta-feira (7). Desde sexta-feira (1º), o índice de ocupação nos leitos ficou estável, após um histórico de forte crescimento no último mês. De 65,2% de ocupação em UTIs na Grande São Paulo, o número oscilou para 65%. Já em todo o estado, a ocupação foi de 61,4% para 62%. O estado contabiliza 1.473.670 infecções e 46.888 mortes.

Ocupação de leitos em São Paulo. Fonte: Secretaria de Saúde


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