Ficando tarde

Governo Doria admite alta de covid-19 e reduz horário de funcionamento de bares em São Paulo

Reportagens da RBA mostraram agravamento da situação da covid-19 no estado e na capital. Horário de funcionamento do comércio foi ampliado “para conter aglomerações”

Arquivo Pessoal/Twitter
Fila para entrar em bar já lotado na zona sul da cidade de São Paulo. "Lazer noturno" contribui para descontrole da pandemia no estado

São Paulo – O governo João Doria (PSDB) admitiu, pela primeira vez desde o final de agosto, que o estado de São Paulo está com alta de casos de covid-19. Com a constatação, o horário dos bares e de venda de bebidas alcoólicas será alterado a partir de amanhã (12). Uma série de reportagens da RBA mostra que a situação da pandemia está fora de controle em São Paulo e que os governos Doria, no estado, e Bruno Covas, na capital, preferiram não reconhecer a gravidade da situação durante o período que antecedeu as eleições municipais.

A partir deste sábado passa a vigorar o novo horário de funcionamento de bares, que só poderão operar até as 20h. A venda de bebidas alcoólicas em estabelecimentos como restaurantes e lojas terá de ser encerrada no mesmo horário. A ideia é conter o que autoridades de saúde paulistas chamaram de recrudescimento da pandemia de covid-19.

Em entrevista coletiva no Instituto Butantan, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, mostrou o crescimento do número de casos, internações e mortes pela covid-19 no estado nas últimas semanas. Além da predominância de ocupação de leitos destinados ao tratamento da doença por pessoas entre 30 e 50 anos.

Gorinchteyn chamou de “lazer noturno” o fator causador de aglomerações e lamentou o fato de as pessoas não seguirem protocolos sanitários nesses locais.

Comércio também muda

O governo paulista também anunciou a ampliação do horário de funcionamento do comércio – de 10 para 12 horas diárias – como forma de reduzir aglomerações na época de compras em função das festas de final de ano.

De acordo com Gorinchteyn, o país ainda não atingiu o pico da chamada “segunda onda”, mas estaria caminhando para isso. Segundo o secretário, a adoção de novas medidas preventivas em São Paulo tem por objetivo “tentar conter o avanço do coronavírus”. Não houve, no entanto, anúncio de recuo da fase amarela do Plano São Paulo. Dados apontados pela RBA demonstram que os números da pandemia em algumas regiões justificariam o recuo para a fase laranja, mais restritiva (leia abaixo).

Doria omitiu 2.506 internações por covid-19 para recuar São Paulo apenas à fase amarela

“As medidas que foram tomadas, especialmente nos meses de outubro e novembro, seja na Europa, seja nos Estados Unidos, ocorreram quando o pico da pandemia estava bem acentuado nesses países, diferente da situação no país”, alegou Gorinchteyn.


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