Respeito é bom

Covid-19: Nova Zelândia e Austrália barraram a pandemia. Israel começou bem, mas relaxou

Ilha na Oceania tornou-se exemplo mundial do combate à pandemia. Com “lockdowns” e muita informação

Reprodução/Youtube
Depois de um governo marcado pela defesa de um Estado de bem-estar social, postura firme diante da pandemia conferiu reeleição histórica à primeira-ministra Jacinda Ardern

São Paulo – Exemplo mundial de combate à pandemia do novo coronavírus, a Nova Zelândia tem 2.092 casos de covid-19. Em duas semanas, de 27 de novembro a 10 de dezembro, foram registrados 45 novos casos em todo o país. O total de mortes pela covid-19 desde a chegada da pandemia à Nova Zelândia. Corresponde a uma espantosa taxa de 5 óbitos para cada milhão de habitantes. Resultado de um governo sério e respeitado.

O país da recém-reeleita primeira-ministra Jacinda Ardern, tem 5 milhões de habitantes. Um deles é o brasileiro Caio Papa, de 26 anos. Ele chegou a Aukland em março para era estudar inglês por um semestre e voltar ao Brasil. “Só que aí entrou a pandemia. Cheguei aqui uma semana antes do lockdown. Início conturbado, cheio de incertezas”, lembra.

Importância da informação

Com o passar do tempo, ele percebeu a importância da boa condução do governo para a situação caótica e desconhecida. “A gente teve um lockdown de dois meses na primeira vez. O governo foi bem claro nas informações, nas orientações, nas atualizações. Um espelho para outros países.”

O estudante pondera que a Nova Zelândia é uma ilha, o que tornaria mais fácil o controle da covid-19. Mas observa que o povo, estimulado, seguiu muito bem as recomendações. “Depois de dois meses a situação estava bem controlada e a vida começou a voltar ao ‘normal’ lá para o mês de maio.” Diante da segunda onda, em agosto, novo lockdown, muito controle e novamente vida normal. Quem entra no país deve ficar isolado, de quarentena.

A situação é de crise, muitos perderam empregos. “Mas no início da pandemia o governo deu subsídio para todo mundo, inclusive para mim, estudante. Uma ajuda que cobre o salário do emprego interrompido pela pandemia. O país está em um pouco em recessão, claro. Mas a vida aqui está bem mais tranquila do que em relação ao Brasil.” Tanto que, hoje, Caio está mais preocupado com a família no Brasil do que o contrário.

Austrália: isolamento severo

Anita Chrispim vive em Melbourne, na Austrália, há dois anos. A estudante de 33 anos conta que o país teve um dos mais longos lockdowns ainda em março, com períodos diferentes de duração em cada estado. “Atingimos zero caso muito rápido”, lembra. “Só que depois as pessoas começaram a sair e ficou comprovado que houve uma falha na segurança do hotel da quarentena que levou a um contágio comunitário. Isso acabou causando uma segunda onda. Em junho, julho atingimos quase 800 casos por dia, o que é alarmante aqui.”

Isso levou a um novo lockdown, ainda mais severo. As pessoas só eram autorizadas a sair para ir à farmácia, ao supermercado, uma pessoa por casa, por dia e num raio de cinco quilômetros. Foram quase cinco meses assim. “Foi extremamente severo, as indústrias foram limitadas, não tinha nada aberto.”

O resultado: zero casos e zero mortes. Em novembro o país voltou a “funcionar”, com cuidados e uso obrigatório de máscara. Na Austrália, os estudantes internacionais receberam uma única parcela de auxílio de cerca de 1.000 dólares locais. Muitos voltaram aos seus países de origem. Mas Anita ficou, e comemora a volta dos serviços e as possibilidades de emprego. “Estamos voltando aos poucos com bastante cuidado para evitar uma terceira onda, porque ninguém aguenta mais.”

O país tem 26 milhões de habitantes. Teve 28 mil casos de covid-19 e 908 pessoas morreram. A taxa de letalidade de 35 óbitos por 1 milhão de habitantes é também uma das mais baixas do mundo.


Oriente Médio: susto em Israel

Israel decretou o primeiro lockdown no início de abril. “Antes de os números ficarem catastróficos”, explica a jornalista Miriam Sanger, que vive em Ra’anana, cidade da região central do país. “E funcionou. Foram cerca de três semanas e muito sério. Não podia sair a mais de 500 metros de casa. Tudo ficou fechado, com exceção de médicos, farmácias e supermercados. Saímos desse primeiro lockdown com números baixíssimos.”

Mas, ela lembra, houve reação muito forte de pequenos negociantes. O governo começou a soltar pacotes de ajuda, mas insuficientes. “Aqui tem seguro-desemprego para quem trabalha há um ano contratado. E o governo flexibilizou para quem trabalhava há menos tempo. Também criou uma categoria de férias não remuneradas com um seguro pago pelo governo. A economia não ficou paralisada”, relata.

covid-19
“Israel tem muito a melhorar, mas é um bom lugar na terra pra enfrentar isso” (Miriam Sanger)

Israel, com 9,2 milhões de habitantes, soma 360 mil casos de covid-19 e 3 mil mortos. Taxa de 320 óbitos para cada milhão de habitantes.  

Descuido

Com o fim do lockdown, a população voltou às ruas e sem máscara. O número de casos explodiu, os hospitais lotaram, mesmo com cinemas e teatros fechados, festas ou outras atividades com mais de 20 pessoas proibidas. “Quando o governo começou a avisar que entraríamos no segundo lockdown, teve desobediência civil, lojistas indo para as ruas. As pessoas se cansaram da bagunça, de a volta à normalidade ter sido muito malconduzida”, diz.

O segundo lockdown veio em meados de setembro, quando Israel passou a ter uma taxas mais aceleradas de contágio da covid-19 da Europa. Ainda assim, Miriam se sente mais segura do que seus familiares e amigos brasileiros. “Minha sensação é que Israel levou a sério a coisa da epidemia. Existe uma coisa de valorização da vida aqui. Tem muito a se melhorar, mas com relação ao vírus é um bom lugar na terra pra enfrentar isso.”


Edição: Paulo Donizetti de Souza


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