irresponsável

Covid-19 no Brasil: 170 mil mortos, início de segunda onda e descaso de Bolsonaro

Cientistas alertam para o agravamento da pandemia e os números da covid-19 crescem, mas presidente do Brasil segue sem plano para conter os impactos

SECOM/Salvador
Nem testes rápidos, nem os de mais precisão. Governo Bolsonaro despreza todas as medidas de contenção da pandemia, mesmo com país passando de 170 mil mortos por covid-19

São Paulo – O Brasil vive o início de uma segunda onda de covid-19 sem que tenha chegado a sair inteiramente da primeira. O segundo país com mais mortos pela pandemia, com 170.155 vítimas, tem o contágio pelo novo coronavírus fora de controle. Segundo anunciou hoje (24) o Imperial College de Londres, referência mundial em estudos sobre a pandemia, a atual taxa de transmissão no Brasil é a maior desde maio. Hoje, foram registradas, oficialmente, 630 mortes e 31.100 casos, totalizando 6.118.708 desde março, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

(Conass-24/11/2020-Reprodução)

Pesquisadores de cinco universidades públicas brasileiras são categóricos em anunciar o retorno dos piores dias da pandemia. Em nota técnica divulgada ontem (23), cientistas expuseram o “aumento explosivo” da covid-19 no Brasil. Eles ainda fazem recomendações e culpam a negligência com a pandemia pelo morticínio no país.

Segundo os especialistas, entre as principais causas do descontrole da circulação do vírus estão: falta de testagem em massa e de rastreio de casos; falta de política central clara e eficaz do Ministério da Saúde; e afrouxamento de medidas de isolamento e distanciamento social sem evidências do recuo da pandemia. “A situação no Brasil se deteriorou fortemente nas últimas duas semanas, e o início de uma segunda onda de crescimento de casos já é evidente”, afirmam.

A Nota Técnica “Situação da Pandemia de Covid-19 no Brasil” foi assinada por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifestp), Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia Campus Salvador (IFBA), Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e Universidade de Brasília (UnB).

Desgovernados

O coordenador do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste, o neurocientista Miguel Nicolelis, também lamenta a falta de ações coordenadas em âmbito federal. Ao contrário, a gestão do presidente Jair Bolsonaro sempre foi negacionista. O presidente defende que quem se preocupa com a doença é “marica” e que a covid-19 não passa de uma “gripezinha”.

A realidade não poderia ser mais diferente. A covid-19 é a pior crise sanitária em mais de 100 anos no Brasil, após a Gripe Espanhola. Se as vacinas não vierem logo, proporcionalmente, a pandemia do novo coronavírus tem potencial para ultrapassar a mortalidade da tragédia de 1918.

“Brasil chegando a 170 mil mortos por covid-19, a segunda onda a caminho, e nenhuma medida em nível nacional está sendo tomada. Não nos preparamos para a primeira onda e vamos mergulhar na segunda em piores condições do que no começo do ano. E nada acontece”, disse Nicolelis.

Descaso

Em mais um exemplo do descaso do governo federal com a pandemia de covid-19, o Brasil pode descartar 6,86 milhões de testes que estão chegando ao fim do prazo de validade. Os exames expiram neste ano e não foram destinados corretamente pelo Ministério da Saúde. O ministro da pasta, Eduardo Pazuello, deve comparecer ao Congresso nesta semana para explicar a situação.

Os testes são do tipo RT-PCR, o exame mais eficaz para a detecção do vírus. Caso seja confirmado o desperdício, o Estado terá jogado fora R$ 290 milhões. Até o momento, foram aplicados pouco mais de 5 milhões de testes, ou seja, pode ser jogado fora mais do que o país já testou.

Entre testes RT-PCR e outros tipo, o Brasil possui capacidade de 60 mil testes por dia. Entretanto, por falta de coordenação, este número fica em torno dos 15 mil. É um dos países que menos testa no mundo. Países como a França e a Espanha, que contam com um quarto da população brasileira, chegam a testar 150 mil pessoas por dia.