Monitoramento

Casos de covid-19 cresceram cerca de 50% em Manaus nas últimas duas semanas

Fiocruz também alerta que ocupação de leitos para pacientes com o novo coronavírus já ultrapassa 60% na capital amazonense. Casos de síndrome respiratória têm crescimento “persistente”

Marcio James/Semcom
Contágio começou a cair após registrar pico em abril, quando os sistemas de saúde e funerário colapsaram. Agora, voltam a registrar crescimento

São Paulo – Uma nota técnica divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta terça-feira (29) indica que, nas últimas duas semanas, houve aumento de cerca de 50% dos casos confirmados da covid-19 em Manaus. O documento também aponta o crescimento “relativamente lento, porém persistente” no registro de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) desde a segunda quinzena de agosto.

Para conter o ressurgimento da doença, os pesquisadores sugerem a necessidade de reavaliar medidas de flexibilização do distanciamento físico já adotadas ou planejadas para as próximas semanas.

O documento ressalta que o estado do Amazonas vem apresentando um atraso na notificação de casos de cerca de 19 dias em relação à data do início dos sintomas. Portanto, o crescimento efetivo da doença só poderá ser avaliado nas próximas semanas.

A ocupação de leitos voltados para o atendimento de pacientes com covid-19 também indicam um recrudescimento da doença. Após o pico, registrado em abril, o número de casos decaiu gradativamente até o final de julho. Nesse momento, a ocupação dos leitos chegou a se reduzir para 25%. Agora, esse índice voltou a atingir patamares superiores a 60%.

A capital é responsável por cerca de 40% dos casos notificados no Amazonas. Por outro lado, Manaus concentra cerca de 60% dos óbitos do estado. A situação na cidade é preocupante, pois pode contribuir também para a disseminação da doença para regiões no interior do estado.

Isolamento

Para monitorar a evolução da covid-19, os pesquisadores solicitam que as notificações sejam preenchidas “com o menor atraso possível”. Também sugerem a realização de testes PCR (o mais eficiente entre os disponíveis) para rastrear a “cadeia de transmissão”. Esse exame detecta a presença do vírus ainda na fase ativa, permitindo que o paciente seja isolado, para conter a disseminação da doença.

Apesar dos alertas, a nota da Fiocruz afirma que a situação em Manaus é “perfeitamente reversível”, caso sejam adotadas medidas mais restritivas. O estudo recomenda a diminuição dos contatos entre as pessoas, com o reforço das medidas de proteção individual e coletiva. Também defende o aumento na capacidade da testagem de casos suspeitos para a realização da busca ativa de novos casos.

“Vale ressaltar a importância de uma comunicação transparente e de ações permanentes de mobilização junto à população na adesão e manutenção de medidas de proteção individuais e coletivas que evitem contatos entre possíveis fontes de infecção e indivíduos susceptíveis”, diz a nota técnica.

Lockdown descartado

Na última segunda-feira (28), o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), propôs ao governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), que fosse decretado lockdown de duas semanas na capital para conter o avanço da doença. Lima, entretanto, disse que não existe possibilidade de estabelecer um novo fechamento total na capital. Além disso, ele confirmou para esta quarta-feira (30) o retorno das aulas presenciais do ensino fundamental da rede pública estadual.