Alerta amarelo

Brasil volta a registrar mais de mil mortos por covid-19 em 24 horas. Total de vítimas passa de 133 mil

Elevação do total de mortes pode indicar novo avanço da covid-19, após três semanas de queda, mas com retomada de aglomerações e descaso com medidas protetivas

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Descaso virou o "novo normal" no Brasil. Nas últimas três semanas, com o recuo da pandemia, o que se nota pelas ruas de todo o país são grandes aglomerações

São Paulo – O Brasil registrou, nesta terça (15), 1.113 mortos por covid-19 nas últimas 24 horas, de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). O número é acima da média para as últimas três semanas, sobretudo um dia após a menor marca desde o dia cinco de maio. O Brasil soma 133.199 vítimas da pandemia, que começou em março.

O aumento das mortes anunciado hoje pode ter relação com o represamento dos dados provocado pela menor quantidade de trabalhadores de saúde em atividade do fim de semana. Entretanto, o número supera as expectativas dos epidemiologistas e pode também indicar o início de um novo período de alta da curva de contágio do coronavírus.

Já o número de novos casos registrou a marca – também alta – de 36.653. Até o momento, são 4.382.263 brasileiros infectados, sem contar a intensa subnotificação.

Alarmante

Nas últimas três semanas, com o recuo da pandemia, ruas, praias e parques de todo o país têm recebido grande número de pessoas, com aglomerações e descaso com medidas básicas de prevenção, tal como o uso de máscaras. Como a covid-19 tende a se manifestar severamente de 10 a 15 dias após o contágio, a análise dos dados de hoje em diante é essencial para saber dos possíveis efeitos da flexibilização das medidas de isolamento social.

“No Rio de Janeiro, parece que não tem pandemia. Não tem poder público, uma cidade anárquica. O governador não existe. O prefeito é uma biruta de aeroporto. Você não tem poder. O presidente é o ócio que conhecemos também aqui do Rio. É uma tragédia. Estou muito preocupado com a cidade, com os profissionais da saúde que estão desesperados. A pandemia está longe de ser resolvida”, disse o deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ).

No dia 1º de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a pandemia dava sinais de regressão no Brasil. O argumento foi utilizado por políticos de diferentes esferas para abandonar medidas de distanciamento, alegando a necessidade de retomar as atividades econômicas. O que veio na sequência foi o período mais mortal da pandemia, com quase 80% das mortes acontecendo desde então.

O Brasil se manteve por mais de 12 semanas com mais de mil mortes por dia, o país do mundo com maior número de mortos por mais tempo. Em todo esse período, foi epicentro da pandemia, sendo superado apenas pelos Estados Unidos, que testam muito mais, e agora pela Índia, em número de casos, mas com metade das mortes brasileiras, sendo que possui uma população 6,5 vezes maior.

De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), a covid-19 é a principal causa de mortes em 2020 no Brasil, superando mesmo doenças como as cardiovasculares e câncer. O pesadelo está longe de acabar.