tragédia longe do fim

Brasil a um dia de 130 mil mortos. Número de novos casos volta a subir

Com 983 vítimas nas últimas 24 horas, covid-19 segue descontrolada no Brasil. Efeitos da pandemia podem aumentar mortes indiretas de crianças, afirma OMS

Mário Oliveira/Semcom-Fotos Públicas
Cuidados para conter a propagação do coronavírus devem ser mantidos, afirmam cientistas e OMS. "Temos que salvar vidas, mas temos também que prevenir todos os contágios possíveis"

São Paulo – O Brasil registrou, nesta quinta (10) 983 mortos por covid-19 nas últimas 24 horas. Os números oficiais indicam tendência de leve queda na letalidade do vírus, puxada por grandes cidades, como São Paulo. No entanto, desde o início da pandemia, em março, já são 129.522 vidas perdidas para a infecção. O levantamento é divulgado diariamente pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Já o número de novos doentes voltou a superar os 40 mil, marca que não era batida há cinco dias. Agora, o Brasil registra, oficialmente, 4.238.446 infectados desde março. O avanço da contaminação coincide com o estudo da Imperial College de Londres que, no início da semana, afirmou que a pandemia voltou a fugir do controle, após um breve período de estabilidade e queda nos índices de contágio.

Cenário único

Tal tendência de queda foi verificada após 12 semanas consecutivas com o Brasil registrando média diária acima de mil mortos e de novos casos acima de 40 mil. O país é a nação que está a mais tempo como epicentro da pandemia no mundo, 14 semanas, posto que não perdeu ainda. Diferentemente de outros membros da comunidade internacional, o país pouco fez pelo controle da pandemia.

(Fonte: Conass – 10/set/2020

Além de o governo de Jair Bolsonaro desdenhar do vírus desde o começo da pandemia, prefeitos e governadores passaram progressivamente a abandonar medidas de segurança e distanciamento. Isso resulta na persistência da pandemia no país, algo único no mundo.

Como a covid-19 é um vírus novo, ainda em estudo pela comunidade científica internacional, os cuidados para conter sua propagação devem ser mantidos. É o que afirmam cientistas e a OMS. “Temos que salvar vidas, mas temos também que prevenir todos os contágios possíveis, pois não sabemos ainda o suficiente sobre os efeitos a longo prazo da covid-19”, disse hoje a diretora técnica da entidade, Maria van Kerkhove.

Crianças em foco

A OMS, assim como outras agências pares da ONU, temem que a covid-19 impacte na mortalidade infantil global. Nos últimos 10 anos, o número anual de crianças mortas por doenças caiu de 12,5 milhões para 5,2 milhões, em 2019. O impacto do novo coronavírus seria resultado da falta de capacidade de sistemas hospitalares em todo o mundo para lidar com enfermidades infantis, no momento em que muitos idosos e pessoas em grupos de risco lotam hospitais pela covid-19.

“A comunidade mundial avançou tanto para eliminar mortes infantis passíveis de prevenção e não podemos deixar que a pandemia de covid-19 nos pare. As crianças não podem acessar os sistemas de saúde com sobrecarga, ou as mulheres não podem dar a luz em hospitais por receio da infecção. Todos esses acabam se tornando vítimas indiretas da covid-19”, disse a diretora-executiva da Unicef, Henrietta Fore.

Edição: Fábio M. Michel