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Brasil chega a 135 mil mortes por covid-19. Expectativa de vida mundial deve cair por conta da pandemia

Estudo aponta que, se 50% da população for infectada, redução na expectativa de vida pode ser de três a oito anos

Amazônia Real
Número de infectados sofreu acréscimo de 36.303 no último período. Com a soma, são 4.455.386 brasileiros doentes de covid-19 desde março

São Paulo – O Brasil registrou 829 mortos por covid-19 nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia, em março, são 134.935 vítimas da doença provocada pelo novo coronavírus no Brasil. O balanço é consolidado diariamente pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) a partir dos levantamentos das unidades da federação.

Já o número de infectados teve acréscimo de 36.303 e o país soma 4.455.386 brasileiros doentes de covid-19 desde o início do surto. Os números são passíveis de grande subnotificação, denunciada por cientistas e reconhecida por autoridades. Isso porque o Brasil ignorou as indicações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a realização de testagem em massa para covid-19. Apenas cerca de 6% da população já passou por algum exame do tipo, de acordo com levantamento do último mês.

Números

O estado mais impactado é São Paulo, com 33.472 mortos e 916.821 doentes de covid-19. Apenas na capital, são 12.266 mortos e 279.173 infectados, com grande diferença entre regiões. Nas periferias, onde os trabalhadores possuem pouco acesso e menor condição de trabalho remoto (home office), a taxa de contágio é o dobro da registrada em bairros centrais.

Na sequência vem a Bahia, em relação ao número de casos. São 289.655 doentes e 6.132 mortos. Já Minas Gerais soma 262.001 doentes e 6.500 mortos. O Rio de Janeiro tem 246.843 casos. Entretanto, os fluminenses possuem mais que o dobro de mortos dos dois estados: 17.453. O resultado possui ligação com as diferenças nas quantidade de testes realizados.

O balanço de hoje do número médio de mortos fica ligeiramente acima da média registrada nas últimas três semanas, de 800 mortos por dia; e abaixo dos últimos dois dias, que apresentaram mil mortos em média. Hoje, o Brasil é o segundo país mais afetado pelo vírus em número de mortos, atrás apenas dos Estados Unidos, e terceiro em relação aos casos, já que foi ultrapassado pela Índia na última semana.

Expectativa de vida

A pandemia de covid-19 é a mais grave crise sanitária em mais de 100 anos, desde a gripe espanhola de 1918. De acordo com estudo publicado hoje (17) na revista científica Plos One, o novo coronavírus deve reduzir a expectativa de vida em todo o mundo.

Em países mais displicentes com o vírus, como o Brasil, que não adotou medidas de contensão do vírus e preferiu ignorar os alertas da ciência, especialmente, por pressão do presidente Jair Bolsonaro, a queda pode ser mais brusca. O estudo indica que, se 50% da população for infectada, a queda no indicador pode ser de três a oito anos.

A esperança vem da ciência, que fora ignorada por Bolsonaro. Além de vacinas que podem ser disponibilizadas no início de 2021, o uso de corticoides e os protocolos médicos melhoraram ao longo do ano. O resultado já é perceptível com a queda na mortalidade em todo o mundo, mesmo com a manutenção de grande contágio.

“Não temos certeza do que vai acontecer ainda”, revela um dos autores do estudo, o professor da Universidade de Viena Sergei Scherbov. “EM muitos países a letalidade da covid-19 está diminuindo fortemente porque o protocolo de tratamento está melhor definido”, completou.