Exemplo

‘Araraquara faz a resistência à covid-19’, destaca jornal francês

Combate à pandemia pela prefeitura, chefiada pelo petista Edinho Silva, é destaque de jornal “Libération”: vai na contramão da política “desastrosa” de Bolsonaro

Divulgação/Prefeitura Araraquara
"No estado de São Paulo, uma cidade está se saindo melhor do que as outras", diz jornal

São Paulo – O jornal francês Libération publicou, nesta segunda-feira (28), uma matéria de destaque sobre “a luta contra o novo coronavírus em Araraquara (SP)” e a eficácia de seu combate à pandemia de covid-19. “No estado de São Paulo, atingido pelo vírus, uma cidade está se saindo melhor do que as outras. Ao contrário da política de Bolsonaro, o município de esquerda promoveu exames em massa, o que permite que os pacientes sejam isolados e atendidos rapidamente”, diz a publicação, na reportagem intitulada “Araraquara é resistência na Covid-19”.

De acordo com o jornal, o prefeito Edinho Silva (PT) “é uma estrela em ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda  que liderou o Brasil de 2003 a 2016”. O chefe do Executivo araraquarense disse à reportagem francesa que prevê uma epidemia ainda longa, sem trégua “antes de dezembro”. 

A reportagem destacou o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e sua politica em meio à pandemia. “Apesar de sua gestão desastrosa da crise, Bolsonaro continua popular, graças aos auxílios sociais aos 67 milhões de trabalhadores informais (um terço da população) para atenuar o impacto econômico da epidemia”, informa, em referência ao auxílio emergencial aprovado no Congresso e pago pelo Executivo.

Distante 279 km de São Paulo e com 236 mil habitantes, Araraquara colocou em prática uma política de testagem em massa da população, com uma média de 9 mil testes PCR (o mais eficiente entre os disponíveis) por 100 mil habitantes, quatro vezes mais que a média brasileira. A testagem em massa da população, para isolar e tratar rapidamente os contaminados, é “um método pouco frequente no Brasil, sete meses após o início da epidemia”, destacou o jornal.

A jornalista Chantal Rayes, correspondente internacional do Libération, apurou as informações pessoalmente. Ela escreveu que acompanhou todo o “acolhimento” realizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Xavier e as equipes de atendimento médico e enfermagem em suas visitas às residências dos moradores.

De acordo com a matéria, a taxa de mortalidade da Covid-19 (1,1%) no município é três vezes menor do que a média nacional, “graças à triagem em massa que permite isolar e lidar rapidamente com pessoas infectadas”.

“Em um Brasil que testa pouco, isso não é comum. Aqui, todos os pacientes apresentando sintomas são diagnosticados com um teste de PCR, o que demonstra um dado raro no país”, escreve a repórter.

Com Deus e o SUS

Segundo a matéria, o Sistema Único de Saúde evitou uma catástrofe sanitária ainda maior. “Deus está comigo, mas o SUS também”, disse ao jornal uma paciente identificada como Maria Edileusa.

O método “pouco frequente” no Brasil pelo qual a gestão de Edinho Silva enfrenta a covid-19 não se dá apenas ao fazer a testagem em massa da população, mas também envolve uma parceria com religiosos mórmons. Pacientes são tratados na “capela”, termo utilizado pelos médicos da cidade para se referir a instalações do templo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que reservou uma ala inteira para tratar os infectados.

“Os mórmons de Araraquara têm grande orgulho desse gesto cívico: cedendo seu local de culto, eles permitiram que a cidade expandisse a capacidade de seu centro de acolhimento para os enfermos do coronavírus, a UPA Vila Xavier”, diz o Libération.