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Desigualdade faz covid-19 se alastrar entre os mais pobres em São Paulo

Trabalhadores que não puderam parar, desempregados, negros e pardos são a maioria dos infectados pela covid-19 na capital paulista, uma situação agravada pela desigualdade

@lunapramudarsp/viatrolébus
Pandemia desigual. Populações da periferia são forçadas a seguir em atividade mesmo sob ameaça de contágio e adoecimento grave.

São Paulo – Na capital paulista, a covid-19 se alastra seguindo os caminhos da desigualdade social. É o que mostra a fase 3 do chamado inquérito sorológico, divulgada hoje (13) pela prefeitura de São Paulo. Trabalhadores informais e aqueles que não puderam fazer home office, desempregados e negros são a maioria dos infectados pela covid-19, segundo a análise. “Quem precisou sair de casa para trabalhar teve três vezes mais chances de se contaminar”, confirmou a secretária municipal adjunta da Saúde, Edjane Torreão.

Segundo os dados, 14,3% da população das classes D e E já foi contaminada pela doença. Justamente aquelas que mais precisaram seguir em atividade, por ser a maioria entre informais e desempregados em busca de ocupação e renda. São eles também que cumprem funções que não podem ser desempenhadas em home office, de acordo com o IBGE. Na classe C paulistana, a prevalência do vírus foi de 11,% e nas classes A e B, de 4,7%, expondo como a desigualdade aumenta os riscos.

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Observando a situação de trabalho, quem pode fazer home office teve três vezes menos chance de se contaminar com a covid-19 do que quem precisou sair. A contaminação entre quem trabalhou de sua casa foi de 6,2%. Entre quem precisou sair para trabalhar foi de 18,5%. Desempregados também tiveram taxa de contaminação mais alta: 12,7%. Isso porque mesmo sem emprego, as pessoas saem em busca de trabalho ou para fazer bicos.

Negros e periféricos

No recorte racial, o inquérito sorológico mostrou mais uma vez como a covid-19 escancara a desigualdade. Negros e pardos tiveram taxa de contaminação de 14,8%. Entre os brancos, a taxa foi quase a metade: 8,1%. Os dados também indicam aumento expressivo da contaminação de negros e pardos ao longo das quatro fases da pesquisa, subindo de 10% para os atuais 14,8%.

Na distribuição pela cidade, a região com prevalência de contaminação é a da Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Sul, com 14,7%. Em seguida, vêm as CRSs Sudeste (11,9%), Leste (11,5%), Norte (7,9%) e Centro-Oeste (4,9%). Em toda a cidade, a prevalência detectada foi de 10,9%, um pouco menor que a registrada nas fases anteriores, mas dentro da margem de segurança da pesquisa. A pesquisa foi feita com 5.760 pessoas de todas as regiões da cidade.

Segundo o prefeito Bruno Covas (PSDB), os dados indicam uma estabilidade da pandemia de covid-19 em São Paulo. “Apesar de dois meses de abertura, manteve-se a prevalência que havia na fase zero”, afirmou. Ele disse ainda que o inquérito sorológico indica que 1,3 milhão de pessoas já foram contaminadas pela covid-19 na capital paulista. Com esses números, a secretária adjunta da Saúde descartou a possibilidade de a cidade ter atingido a chamada imunidade de rebanho.

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Dados de cor da pele e classes social evidenciam a desigualdade na contaminação pela covid-19 na capital paulista