covid-19

Brasil passa de 95 mil mortos e segue sem saber até onde vai a pandemia

Mais 1.159 vítimas da covid-19 foram notificadas secretários de Saúde do Brasil. Total chega a 95.819 mortes. Número de casos caminha para 3 milhões

Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real
"Mantenha o isolamento social, use máscaras e lave as mãos regularmente", recomenda o direto-geral da OMS Tedros Adhanom

São Paulo – O Brasil volta a registrar mais de mil mortos por dia pela covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Foram 1.159 vítimas notificadas pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) no início da noite de hoje (4). Com o acréscimo, o país tem 95.819 vítimas. Já o número de casos teve outro crescimento expressivo. Nas últimas 24 horas foram 51.768 novos doentes, em um total de 2.801.921. A curva epidemiológica no Brasil reflete a falta de ações do poder público.

O Brasil é o segundo país mais afetado pela covid-19 no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Entretanto, o país latino-americano testa muito menos do que os norte-americanos. Enquanto o Brasil realiza um quatro testes negativos para cada positivo, essa média nos Estados Unidos supera os 120 testes negativos por positivo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o Brasil como epicentro da pandemia durante todo o mês de julho, marca ainda mantida. Os números de mortos brasileiros diários superam qualquer país no mundo. E tal cenário não tem previsão de queda, já que o país não segue medidas recomendadas pela ciência.

Balanço de hoje (4), consolidado pelo Conass

Inconsequências

No início de julho, as mortes e casos pararam de acelerar – foi o chamado “platô”, que foi observado no momento, até então, mais letal da pandemia. Mas mesmo diante de números elevados de óbitos diários, estados e municípios relaxaram as medidas de isolamento social impostas entre abril e junho.

O resultado foi uma nova escalada de mortes e casos. Agora, o Brasil aponta estar no início de uma nova fase de relativa estabilidade, mas com um número ainda maior de mortos e casos por dia, perto da casa dos 1.300 por dia em média. As duas últimas semanas foram as mais letais desde o início do surto, em março.

Esperança

Mesmo com mais de 160 vacinas em fase de estudos, 25 delas em fase de testes, não existe uma certeza em relação à eficácia ao longo do tempo, ou quanto tempo a imunização deve durar. Diante de tal cenário, a OMS segue em sua recomendação: “Teste, isole e trate; informe, empodere e ouça as comunidades”.

“Mantenham o isolamento social, use máscara e lave as mãos regularmente”, continua o órgão. Em relação ao Brasil, a entidade segue na esperança de um dia ser ouvida. “Tudo pode ser revertido, no Brasil ou em qualquer lugar”, disse o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom.