Doses de esperança

Vacinas contra covid-19 apresentam resultados preliminares seguros

Em testes, vacinas da Universidade de Oxford e da Alemanha anunciam respostas imunes “fortes”. Resultados seguros também são identificados em vacina chinesa

Tânia Rêgo/EBC
Nesta segunda (20), Brasil recebeu 20 mil doses de outra vacina chinesa, a CoronaVac, que entra em sua terceira fase de testes

São Paulo – Resultados preliminares da vacina que vem sendo produzida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, apontam respostas cada vez mais seguras e com poucos efeitos secundários para imunização contra a covid-19. Em artigo publicado nesta segunda-feira (20) na revista científica The Lancet, cientistas anunciam que o medicamento tem induzido a produção de respostas imunes tanto por anticorpo, como por células T, em até 56 dias depois da administração da dose. 

Os resultados iniciais são referentes às duas primeiras fases dos testes, que envolveram 1.077 pessoas. A fórmula agora é base da terceira fase de estudos clínicos que é feita no Brasil. Desde junho, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Instituto D’Or, no Rio, lideram a última etapa antes do registro. 

A universidade britânica desenvolve a vacina em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. No final de junho, o laboratório também firmou um acordo com o governo brasileiro. A negociação estabelece a compra de doses e a transferência de tecnologia da vacina produzida pela Universidade de Oxford com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Após a finalização dos estudos clínicos e a comprovação da eficácia do medicamento, a Fiocruz começará, já em dezembro, a produção de 30,4 milhões de doses para imunização. 

A vacina ‘ChAdOx1 nCoV-19’, como é oficialmente chamada, chegou a ser considerada a mais promissora pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Contudo, os pesquisadores destacam que ainda são precisos mais estudos para comprovar se o medicamento protegerá contra infecções.

Vacina chinesa chega ao Brasil

O reconhecimento e o acordo com o Ministério da Saúde também não encerram outras iniciativas de desenvolvimento de tecnologia nacional, quanto de parcerias internacionais. Nesta segunda, por exemplo, o Brasil recebeu 20 mil doses da vacina chinesa produzida pelo laboratório Sinovac-Biotech, a CoronaVac.

A parceria foi firmada pelo governo de São Paulo, e já nesta terça-feira (21) entra em sua terceira fase de testes no Instituto Butantan. Ao todo, 12 centros de pesquisas irão conduzir o projeto, que aplicará a vacina em 9 mil voluntários distribuídos em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Distrito Federal. Com a eficácia da imunização comprovada, os idosos, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde poderão receber a vacina já no primeiro trimestre do próximo ano.

Outras iniciativas

Ainda nesta segunda, outras duas vacinas tiveram resultados positivos divulgados na corrida contra o novo coronavírus. Uma delas, o medicamento também chinês da CanSino Biologics. Pesquisadores anunciaram na revista The Lancet que a vacina tem induzido respostas seguras e imunizantes. Ao todo, 500 pessoas foram testadas na segunda etapa que ocorreu em Wuhan, o epicentro inicial da pandemia na China. 

Nenhum dos participantes, no entanto, foi exposto ao vírus Sars-Cov-2 após a aplicação da dose. O estudo agora segue em análise na fase três. Outra esperança vem das farmacêuticas Pfizer e BioNTech que também verificaram a produção de respostas imunes “fortes e em velocidade anterior ao prazo estimado das chamadas células T, consideradas fundamentais para protegerem um organismo do novo coronavírus”, descreve o portal UOL

Os avanços serão avaliados para posterior publicação em revista científica. Após a aplicação do vacina, a pesquisa registrou alguns sintomas de gripe e reações no local da injeção, mas nenhum efeito grave do medicamento, que continuará em testes.

Com informações do G1, Folha de S. Paulo e Uol