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Enquanto governantes relaxam distanciamento, Brasil soma 87.618 vítimas de covid-19

Não atendimento às orientações dos especialistas, alerta a Fiocruz, é a principal razão para o país ser o segundo do mundo em casos e mortes pela covid-19

Reprodução
Após a pior semana de novos casos e mortos, poder público insiste em afrouxar a cada dia medidas de isolamnento

São Paulo –  O Brasil tem oficialmente 87.618 mortos causadas pela covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, foram 614 vítimas registradas, de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). O número mais baixo divulgado hoje (27) tem relação com o represamento natural que acontece às segundas-feiras, já que menos profissionais de saúde trabalham aos domingos.

A distorção nos números oficiais tende a ser corrigida nos dias seguintes. A subnotificação, porém, é uma realidade reconhecida pelo poder público e denunciada pelos cientistas. Além de o Brasil realizar poucos testes, o vírus segue tendência de interiorização. Fora dos grande centros, a defasagem é ainda maior.

Dados compilados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass)

O Brasil segue há mais de um mês no epicentro da pandemia de covid-19, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e também com institutos científicos. A última semana foi a mais letal desde o início do surto, em março. Também foi a semana com maior número de novos doentes registrados.

O mais preocupante, para as autoridades sanitárias, é a “naturalização” da tragédia. Diferentemente de toda a comunidade internacional, o Brasil se mantém com um número muito elevado de mortes, sem demonstração de redução. Isso se deve ao descaso do poder público com a pandemia.

Descaso

Desde o início do surto o governo Bolsonaro desdenha da pandemia. Chega a fazer troça, a chamar de “gripezinha”. O presidente afirmou que o vírus não mataria mais do que a H1N1, que, no auge, em 2009, matou pouco mais de 2 mil pessoas.

Por outro lado, prefeitos e governadores que, especialmente entre abril e junho, decretaram medidas leves de isolamento, agora largam mão de forma intensa. E o fazem durante o período mais letal da pandemia de covid-19.

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“O fato é que estamos com a triste marca de segundo lugar no mundo em número de casos e mortes por Covid-19, atrás apenas do EUA. E o retorno das atividades no Brasil tem sido errático em alguns estados e municípios, relacionados em parte, pelo não atendimento às orientações dos especialistas”, afirma a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em estudo divulgado na última semana.

Esse descaso soma-se ao sucateamento do sistema de assistência pública, em especial do SUS, que atende à grande parcela da população, de forma universal. “Não utilizamos o Sistema Único de Saúde (SUS) com toda a sua potencialidade, tanto pelo subfinanciamento crônico, como pela incompreensão do seu papel na pandemia para diagnosticar e acompanhar os casos leves, moderados ou graves da doença. O país precisa ampliar os investimentos em todos os níveis de atenção a saúde, em especial a Atenção Primária à Saúde (APS)”, recomenda a Fiocruz.

Estados brasileiros mais afetados pela covid-19


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