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Durante a pandemia, mortes fora dos hospitais dobraram no Rio, aponta Fiocruz

Aumento expressivo do número de mortes em casa e em unidades básicas de saúde na cidade do Rio indica que sistema de saúde colapsou durante a pandemia

Tania Regô/Agência Brasil
Mortes em casa por doenças infecciosas cresceram 598% entre maio e abril no Rio

São Paulo – Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que as mortes no município do Rio de Janeiro aumentaram 64% nos meses de abril e maio, durante a pandemia. Nesses dois meses, foram registrados 7.450 mortes acima da média do mesmo período nos três anos anteriores. Os óbitos em unidades básicas de saúde não hospitalares cresceram 110%, enquanto que os ocorridos em casa tiveram um salto de 95%.

Segundo os pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) o aumento da letalidade fora das unidades hospitalares pode estar relacionado à sobrecarga no sistema de saúde por causa da covid-19.

O colapso do sistema levou à desassistência não apenas de muitos pacientes infectados, mas também de pessoas que padeciam de outras doenças.

As mortes por doenças infecciosas e parasitárias (incluindo o novo coronavírus), no Rio de Janeiro, cresceram 785% em unidades de saúde (fora de hospitais) e 598% em domicílios, em abril e maio. Ademais, os óbitos em decorrência de doenças do aparelho respiratório registradas em unidades de saúde cresceram 109%,

Por outro lado, o total de pessoas que morreram em casa vítimas de doenças endócrinas nutricionais e metabólicas (incluindo diabetes) também cresceu 109%. Neste mesmo período, também foi registrado um excesso de cerca de mil óbitos com causa mal definida (sem diagnóstico definitivo).

Atendimento comprometido

Para o vice-diretor do Icict/Fiocruz, Christovam Barcellos, a desassistência também está relacionada com os cortes no orçamento da rede municipal nos últimos três anos.

“Estamos claramente diante de dados que indicam que houve desassistência à saúde pública no início da epidemia no município do Rio. Talvez até mesmo um colapso do sistema hospitalar. Muitas dessas pessoas que morreram em casa ou em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) podem ter tido dificuldade de conseguir atendimento nos hospitais”, afirma Barcellos, que também é geógrafo e pesquisador de saúde pública.