São Paulo

Doria atropela plano São Paulo e pula fases da quarentena para acelerar abertura

Região de Registro passou direto da fase 1-vermelha, mais restrita, para a fase 3-amarela. Quatro regiões permanecem na fase vermelha e seis avançaram

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Nova atualização do Plano São Paulo atropelou as regras e deixou apenas quatro regiões na fase de maior restrição

São Paulo – O governador paulista, João Doria (PSDB), atropelou mais uma vez o Plano São Paulo, que coordena a reabertura do comércio e dos serviços no estado, passando a região de Registro direto da fase 1-vermelha, mais restrita, em que só podem funcionar serviços essenciais, para a fase 3-amarela, em que se pode abrir shoppings, comércio de rua, bares, restaurantes e salões de beleza. Além disso, avançou as regiões de Piracicaba e Bauru para a fase laranja, apesar de elas terem piorado na análise dos indicadores, em relação à semana passada. Baixada Santista e sub-regiões da Grande São Paulo vão à fase 3-amarela.  

De acordo com os critérios do plano, as cidades deviam ter duas semanas de melhoria indicadores, para passar à fase seguinte. Doria sempre destacou que o processo seria gradual, fase a fase, para evitar retrocessos. Mas hoje, o governo Doria surpreendeu ao anunciar que a região de Registro vai passar direto da fase 1-vermelha para a 3-amarela, na próxima segunda-feira (13). “Se uma região tiver uma melhora significativa, é possível, sim, passar direto de uma fase a outra”, disse o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, confirmando a mudança nos parâmetros.

Desde o início do processo de abertura, o governador afrouxou várias vezes as regras criadas pelo Comitê de Contingência do Coronavírus. Primeiro, foi a própria abertura, que antes dependia de queda nos casos por 14 dias, ocupação de UTI de, no máximo, 60% e isolamento social de 55%, e passou a ser aplicada conforme critérios mais amplos. Depois, cidades que estão na fase 2-laranja, poderiam abrir o comércio por mais horas por dia. E logo, academias, teatros e espaços culturais, que só poderiam abrir na fase 4-verde, passaram a poder abrir na fase 3-amarela.

Escolas

No caso da região de Registro, houve melhora significativa nos indicadores, mas como a região estava há três semanas na fase 1-vermelha, o estipulado era a passagem para a fase 2-laranja, com menor abertura de comércio e serviços. Um avanço pulando fases é interessante para o governo justificar a reabertura de escolas, que depende que todas as regiões do estado estarem na fase 3-amarela do Plano São Paulo. O governador tem sido pressionado pelos empresários da educação privada para liberar o setor.

A região de Piracicaba passou da fase 1-vermelha para a fase 2-laranja. Apesar de apresentar melhora no número de novos casos, que apresentava crescimento de 118% há duas semanas – quando a região passou para a fase mais restrita –, ainda houve aumento de 31% no último período. A ocupação de UTI, que estava em 66,3% há duas semanas, hoje está em 78%. O número de novas internações passou de um crescimento de 6% para 14% no mesmo período, enquanto as novas mortes cresceram 100%. Indicadores que mostram piora no quadro.

Da mesma forma, a região de Bauru teve redução no número de novos casos, que registrou aumento 167%, há duas semanas, e hoje registra queda de 19% na variação semanal. Mas teve um aumento de 52% para 66% na ocupação de UTI. A cidade registrava uma estabilidade de novas internações há duas semanas, quando ingressou na fase 1-vermelha, e hoje registra aumento de 15%. As regiões de Sorocaba e Presidente Prudente também passaram para a fase 2-laranja.

A capital manteve o quadro que a levou à fase 3-amarela do Plano São Paulo. A cidade registrou aumento de 3% nas mortes, na variação semanal. Já o número de novos casos foi 33% menor que o registrado na semana anterior. A Baixada Santista e as sub-regiões Oeste e Leste da Grande São Paulo vão passar para a fase 3-amarela do plano, na próxima segunda-feira. Toda a Grande São Paulo registrou redução de até 25% no número de novos casos. A Baixada Santista, no entanto, ainda contabilizou 29% mais casos novos que na semana anterior.