crise sanitária

Brasil perto de 2 milhões de casos de covid-19. OMS lamenta fim do isolamento: ‘Direção errada’

“Se as medidas básicas não forem seguidas, a única direção que essa pandemia pode seguir é piorar”, afirma diretor-geral da OMS

Cacalos Garrastazu/FotosPublicas
Não houve redução nas mortes no Brasil. Foi observada uma estabilidade nas mortes, mas os casos seguem aumentando exponencialmente

São Paulo – O Brasil tem oficialmente 72.833 mortos pela covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, foram registradas 733 novas vítimas e 20.286 doentes, de acordo com o Comitê Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Desde março, 1.884.967 pessoas foram diagnosticadas com a doença.

Existem dois fatores a serem considerados nos dados desta segunda-feira (13). Primeiro, nos fins de semana, menos profissionais da Saúde e de estatística trabalham, o que provoca um represamento dos dados, Por isso, os números são mais baixos que a média diária a partir das terças-feiras.

O segundo ponto é a franca subnotificação dos números da covid-19 no Brasil. Epidemiologistas alertam que o país é um dos que menos realiza testes no mundo em relação ao número de habitantes. O problema é mais incidente no interior e em regiões mais afastadas dos grandes centros, por falta de estrutura de medicina diagnóstica.

Curva epidemiológica do novo coronavírus no Brasil

Atualmente a pandemia do novo coronavírus segue um caminho de interiorização, após um primeiro momento de grande impacto nas capitais. Estudos, porém, já indicam tendência de refluxo da pandemia de volta às capitais, uma vez que o colapso das redes de atendimento no interior levam obrigatoriamente à busca pelos centros maiores.

Essa tendência, aliada à falta de estrutura em locais mais distantes da capitais, aumenta a subnotificação, tanto de casos como de mortes. Isso fica demonstrado no aumento de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) sem causa detectada. O coronavírus pode provocar a síndrome. Em Minas Gerais, por exemplo, o número da enfermidade sem razão oficial aumentou mais de 650% neste ano em relação ao ano anterior.

Sem isolamento

Embora muitos estados e cidades do Brasil estejam afrouxando as fracas medidas de isolamento social que foram impostas nos últimos meses, tais medidas são precoces, defendem especialistas. Há quem diga que a tragédia está naturalizada, já que não houve redução nas mortes no Brasil. Foi observada uma estabilidade nas mortes, mas os casos seguem aumentando exponencialmente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lamenta a postura de países que seguem o caminho inverso ao indicado pelos especialistas. O isolamento social ainda é indicado. “Deixe-me ser direto. Muitos países estão na direção errada”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom. Ele chegou a chorar na semana passada ao lamentar a falta de união no combate ao vírus.

“O vírus permanece como inimigo público número um, mas a ação de muitas pessoas e governos não reflete isso”, seguiu. Adhanom analisa que as medidas de relaxamento precoce podem agravar o quadro. “Se as medidas básicas não forem seguidas, a única direção que essa pandemia pode seguir é piorar, piorar e piorar. Não tem atalhos nessa pandemia. Todos nós esperamos uma vacina, mas precisamos usar as ferramentas que temos”, completou.

Estados brasileiros mais afetados pelo vírus

Edição: Fábio M. Michel


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