Vírus em expansão

Novo coronavírus já infectou 6,6% da população na Baixada Santista

Conclusão é de pesquisa apurada há uma semana. “Não há justificativa para fazer a flexibilização do isolamento”, diz ex-ministro Arthur Chioro

Arquivo Sindicato dos Bancários de Santos
Orla de Santos: estudo revela que já existe um infectado para cada grupo de 15 habitantes

São Paulo – O novo coronavírus está atingindo com força a região da Baixada Santista, no litoral de São Paulo. É o que mostra um estudo que buscou estimar a real exposição dessa população à doença.

Segundo o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, em entrevista ao Seu Jornal, na TVT, os dados apontam que para cada pessoa registrada oficialmente com o coronavírus, outras sete podem estar infectadas. Chioro faz parte da equipe de pesquisadores.

Esse estudo tem tentado compreender como está a prevalência do novo coronavírus na população dos nove municípios que integram essa região metropolitana, com cerca de 1,8 milhão de habitantes, ou 4% da população do estado de São Paulo.

Nas quatro etapas do estudo desenvolvidas até agora, foi possível identificar uma ampliação significativa da população exposta ao coronavírus. 

Na primeira fase, em 29 e 30 de abril, somente 1,4% da população apresentava anticorpos. Na última, cuja coleta foi feita entre 17 e 20 de junho, 6,6% da população já se encontra infectada pelo coronavírus. “Isso significa que na Baixada, 121 mil pessoas já devem estar infectadas pelo vírus, ou seja, um infectado para cada 15 habitantes”, diz o ex-ministro.

“Isso permite estimar a real exposição, já que para cada caso confirmado, estima-se com base na pesquisa que outras sete pessoas também estejam infectadas, e como tiveram efeitos leves ou assintomáticos sequer foram registrados”, diz o ex-ministro.

Isolamento precisa ser mantido

“O que eu acho que é muito relevante nesse estudo é que as medidas de flexibilização do isolamento, retomada de atividades econômicas e abertura de comércio estão sendo tomadas exatamente no momento em que a transmissão do coronavírus continua crescendo nos nove municípios da Baixada”, avalia.

“Aliás, essa é a realidade que se pode extrapolar também tanto para a região metropolitana de São Paulo, para o interior do estado e agora chegando também às regiões Centro-Oeste e também Sul do país”, afirma.

Segundo Chioro, o estudo é importante, porque a despeito de terem identificado essa tendência de crescimento a conclusão a que os pesquisadores chegam é de que é fundamental a manutenção do isolamento, o uso de máscaras e não há justificativa para fazer a tal da flexibilização do isolamento em bases científicas. 

“Se os motivos são econômicos, são as eleições municipais, que se assuma, porque do ponto de vista da proteção à saúde da população não dá para sustentar com base nos estudos realizados na Baixada Santista, que coincidem com os resultados também de investigações feitas recentemente na cidade de São Paulo, e em âmbito nacional pela universidade Federal de Pelotas”.

“É fundamental entender o que está acontecendo e exigir que as autoridades públicas cumpram sua parte, protegendo a vida e a saúde da população”, conclui.


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