Risco

Garimpo ilegal pode fazer dos Yanomami maiores vítimas da covid-19 no mundo

Yanomami são os mais vulneráveis à pandemia de covid-19 na Amazônia, onde 20 mil pessoas atuam em garimpo ilegal e podem infectar 40% da comunidade

Chico Batata/Greenpeace
Quase 14 mil yanomamis (50,7% da população do território) vivem a até cinco quilômetros de áreas de garimpo

São Paulo – Os Yanomami são a comunidade indígena mais vulnerável à pandemia de covid-19 em toda Amazônia. De acordo com estudo produzido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Instituto Socioambiental (ISA), o garimpo ilegal é o principal motivo do risco.

Cerca de 20 mil garimpeiros estão na Terra Indígena Yanomami durante a pandemia de covid-19. E, segundo a pesquisa, 40% dos indígenas que moram perto das minas ilegais podem se infectar com a doença.

Com pouca assistência de saúde, as aldeias podem perder 6,5% dos seus integrantes, tornando-se uma das populações mais impactadas pela covid-19 em todo o mundo.

Para o professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP) Wagner Ribeiro, a invasão à terra e genocídio dos povos originários é estimulado pelo governo Bolsonaro.

“Devemos lembrar que os yanomamis são um entrave para os militares, já que estão na fronteira com a Venezuela, então é um plano para reduzir essa população. Esse governo não está preocupado com os indígenas, eles tão trabalhando no combate aos povos originários”, afirmou.

Estudo

O território ocupa porções do Amazonas e de Roraima e se estende por boa parte da fronteira do Brasil com a Venezuela. A área é considerada rica em depósitos de ouro, sendo alvo de garimpeiros há 30 anos.

A Covid-19 já provocou três mortes entre os Yanomami e há outros 55 casos confirmados. De acordo com o ISA, a aldeia possui um histórico de doenças respiratórias que tem piorado nos últimos anos, além do alto grau de vulnerabilidade social. No levantamento, foram considerados os quase 14 mil yanomamis (50,7% da população do território) que vivem a até cinco quilômetros de áreas de garimpo.

“Estamos acompanhando a covid-19 na nossa terra. Nossos xamãs estão trabalhando sem parar contra a xawara (nome dado às epidemias). Vamos lutar e resistir. Para isso, precisamos do apoio do povo brasileiro”, afirmou Dario Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami.