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Conheça o mapa da covid-19 que Bolsonaro quer inutilizar omitindo dados

Com os dados que Bolsonaro excluiu, o LabCidade elaborou um mapa geral dos casos de covid-19. Ferramenta é fundamental para elaboração de políticas contra a pandemia

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Dados da covid-19 que Bolsonaro excluiu serviram de base para elaboração de um mapeamento dos casos e mortes em SP

São Paulo – O Ministério da Saúde do governo de Jair Bolsonaro excluiu da base de dados sobre a pandemia de covid-19 todos os registros de endereço de casos e mortes causadas pelo coronavírus. Os registros estavam identificados por CEP e não permitiam a identificação das pessoas, mas a informação é importante para a identificação do espalhamento da pandemia nas cidades e bairros e a necessária elaboração de estratégias de saúde pública. A denúncia sobre a exclusão dos dados foi feita pelo LabCidade, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

No dia 5, o LabCidade colocou no ar um mapa interativo que mostra a distribuição de casos e mortes causadas pela covid-19, por CEP, na região metropolitana de São Paulo. Utilizando os registros hospitalares, o mapeamento permite saber onde se concentram os casos e as mortes de forma mais objetiva que os dados por distrito disponibilizados pela prefeitura de São Paulo, por exemplo.

“Essa mudança dificulta ainda mais a compreensão sobre a disseminação da pandemia no território brasileiro, limitando inclusive a formulação de estratégias adequadas para seu enfrentamento. Cabe destacar que foram retirados de todos os bancos de dados a variável ‘CEP’, inclusive das planilhas anteriores, ocultando não somente o presente, mas apagando a história. Essa alteração está conectada a uma estratégia mais ampla de diminuir a transparência dos dados sobre a covid-19 no Brasil”, diz o LabCidade.

Ainda segundo os pesquisadores, a liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para obrigar que o governo Bolsonaro dê transparência aos dados sobre a pandemia de covid-19, não menciona a variável CEP, de forma que o dado pode não ser disponibilizado. “Todas essas alterações apontam, por um lado, a tentativa de esconder as informações e dificultar o acompanhamento por parte de ativistas, gestores  e pesquisadores, por outro, uma estratégia de confundir a população e minimizar a gravidade da pandemia”, avaliam os pesquisadores.